Lula “Preso"



Depois de acompanhar o processo que intenta retirar o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva do cenário eleitoral de 2018, com prisão em Curitiba, pude tirar algumas conclusões e assertivas. A primeira delas é que Lula fez um retorno histórico, estratégico, ao usar a sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, em são Bernardo do Campo.


Com este gesto, simbólico, percebe-se uma demonstração de intentar retomar sua luta sindical e muito próxima do sonho do povo, mantendo-se como o maior estadista vivo brasileiro. Assertiva essa que tem que ser reconhecida, gostem ou não a direita e ultra direita brasileira. Afirmo isso, pelo simples fato que o discurso de Lula fora emblemático e o sentimento de que o povo, os trabalhadores e uma boa parte da sociedade brasileira, vide movimentos sociais das mais variadas correntes e estirpes deverão, a partir de agora, usar o jargão de que Lula são todos e não somente aquele que está preso na república de Curitiba.


Evidente que Lula saiu fortalecido ao passo que os organismos internacionais de direitos humanos e lideranças importantes dos países Europeus, Orientais e da América condenaram a prisão de Lula, reconhecendo que se tornou um preso político e não um condenado por corrupção como assenta o poder judiciário brasileiro.


Lula usou o espectro varguista, no entanto, com muito mais propriedade e sapiência, pois conseguiu ser retirado da cena política vivo e ficar na história de muitos brasileiros que veem em Lula um grito de esperança e sonho para se ter saúde, educação, segurança, emprego, renda, reforma agrária, e mais políticas de inclusão social.


É evidente que através desta estratégia de se representar na história a partir do Sindicato dos Metalúrgicos, que o lançou na cena política, Lula refaz um caminho construindo antes, quando historicamente representava e continua a representar a esperança de muitos que acreditam em sua estada para mudar os rumos de um país como o nosso.


Talvez, mais do que isso, as mudanças que podem ser implementadas com um governo popular seja a de fazer com que o povo consiga sair de uma república representativa e clientelista para uma participativa e representada por conselhos populares formados, em sua essência, pelo povo brasileiro.


Assim, Lula não sai de cena, mesmo sabendo que a estratégia dominante é a de trazer um vácuo de poder para dar chance a candidatos que representem a manutenção dos interesses do capital financeiro, rentista, da grande mídia e empresariado. Agindo assim, entendem que o Brasil é feito para eles, no qual o povo trabalhador terá que se curvar para tais “donos do poder”.


O povo pobre desse país precisa apreender com a prisão de Lula e fazer um processo de união social dos pobres, trabalhadores, movimentos sociais e setores progressistas brasileiros para que se enfrente com altivez a elite dominante, que concretiza o seu golpe a cada estratégia de punir o povo e fazer sarcasmo com a nossa, frágil, democracia.


Aqui vale o velho e bom jargão: “O povo unido, consegue não ser vencido”!


Texto:

Valtuir Moreira da Silva (UEG Itapuranga)

Doutor em História. Escreve excepcionalmente para o Além dos Muros.

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"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento."

Platão

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