O Caminhar e os Sinais



Heródoto já dissera que escreveria aquilo que viria. Assertiva que me persegue ainda hoje, apreendidos nos ensinamentos do Pai da História, quando sou tentado a retomar alguns de seus conhecimentos para analisar a caminhada dos movimentos sociais, do povo brasileiro, e sua produção de vários sinais que foram anunciados na mobilização que reuniu, em Brasília, dia 16 de agosto de 2018, como parte do registro da candidatura de Luís Inácio Lula da Silva, ao cargo máximo da República brasileira, aproximadamente, 40 mil trabalhadores.


O caminhar e os sinais estiveram evidentes em todo o trajeto, por mais de 15 km nas ruas largas, estreitas e túneis da capital federal, durante a manifestação popular. Caminhar de um povo, que continua sua marcha em busca de justiça, conseguindo, a partir desse evento, a representação de alguns sinais que ajudaram a fortalecer, ainda mais, o sentimento de que Lula não representa somente um partido político, é algo mais, ressignifica, inclusive, no meu ver de historiador, a importância do povo estar sempre em marcha buscando dias melhores para todos, percebendo que não é uma luta para alguns, mas para toda uma nação.


Sinais que ficaram evidentes quando da nossa chegada, com uma comitiva vinda de Itapuranga, interior de Goiás, com 15 companheiros e que foram se agregando, aos cerca de 40 mil brasileiros que se fizeram presentes. Saliente-se que, do que já tive oportunidade de participar, como mobilização popular, talvez não seja o mais importante, mas fora um daqueles eventos que deixam marcas profundas, no sentimento e na capacidade de ação, ao qual posso escrever aquilo que eu vi, lembrando de Heródoto, grande historiador grego.


O principal sinal que esteve presente e que irá mobilizar, quem sabe contaminar aqueles brasileiros que ali não estivera, seja a manutenção do sonho de um Brasil justo, fraterno, com instituições que estejam sempre a serviço do povo. Que nossa democracia seja fortalecida em sua essência e aparência, ou melhor, seja reestabelecida, com as palavras de ordem, bandeiras, marcha e o povo nas ruas fazendo acontecer.


Também esteve presente a certeza de que não se pode conviver com um projeto de estado que não leve em consideração o rosto e o jeito de ser povo. Talvez a caricatura do ex-presidente, nos rostos dos presentes na caminhada, com as máscaras, produza em todos nós uma percepção e importância do povo se fazer presente, soberanamente, nas grandes decisões de nosso país. Inclusive no direito e na garantia da indicação de um nome para se colocar como candidato ao cargo máximo da nação, não somente um julgamento eivado de contradições e parcialidades.


Saliente-se que, parece que as águas do Mar Vermelho se abriram, descortinaram as tramas que foram produzidas para impedir a candidatura de um cidadão que traz consigo o cheiro, jeito e trejeito de nosso povo. Daí a caminhada longa e penosa, com o esforço do povo que, depois de sofrimentos e incertezas, olharam para si e perceberam que o sinal da mudança seria assumir os nossos fardos e seguir em frente para lutar para manter viva a nossa democracia, Lula Livre.


Mas não basta, o sinal da esperança foi projeta no ato de registro da candidatura de Lula. Como muitos me disseram neste meu olhar, talvez já sabendo o que virá, no entanto, muitos me afirmaram que existe uma injustiça acontecendo aqui para “as bandas do povo”. Mas as injustiças podem ser rompidas com uma caminhada que se representou com a presença dos trabalhadores brasileiros, marchando e lutando para romper as cercas e arames que impedem a construção de uma nação popular e com um governo soberanamente eleito pelo povo.


Diante dessa certeza, o silencio não foi algo visto nesta caminhada, o grande sinal das vozes vêm das ruas, do povo com seu grito de lamento, alegria e entoado em canto e verso, no calor humano que foram recebendo caminho afora, sendo uma demonstração de que o gigante nunca dormiu e que precisa acordar. Isso mesmo, temos que romper com esse gigante que não quer findar os privilégios de uma elite nacional. E na certeza de que há, sim, esperança de que tenhamos um governo que se preocupe e se ocupe com os mais necessitados, com aqueles homens e mulheres que clamam por mão invisível de um estado que saiba ter governança com o povo e não somente para o povo.


Assim, os sinais que foram propalados visualmente, e outros que ficaram na interlocução de gestos, olhares e no imaginário coletivo, podem nos levar a compreender de que há emblemas que se constituirão em ações concretas de uma mobilização nacional em prol de um governo popular. Que saiba escutar o clamor desse povo que caminha sempre, como se estivessem na travessia do deserto. Talvez seja aqui o ponto ao qual considero necessário registrar, pois todos estes cidadãos que se esforçaram para ali estarem, a partir de hoje, serão os interlocutores nos inúmeros rincões de nossa pátria amada, Brasil, procurando demonstrar as contradições e projetos de poder que estão em curso na eleição desse ano.


O caminhar dos trabalhadores brasileiros – o povo, serviu para a construção e consolidação de sinais de mudanças que estão evidentes e aparentes, pois mesmo com Lula preso, haverá Lula livre, com todos os seus membros e discursos sendo representados em todos os cantos do nosso país. Esse é o nosso país, essa é nossa bandeira, com o povo na sua trajetória de luta e labuta para construir uma nação soberana para todos e não somente para um mercado que se reproduz com o discurso da crise. Lula está livre, vamos cumprimenta-lo e assumir caminhando e produzindo sinais que transforma à nós mesmos, mudando toda sociedade.


Texto:

Valtuir Moreira da Silva

Professor de História da UEG, Campus Itapuranga

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"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento."

Platão

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