"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento."

Platão

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Ressaca



Um dia desses, em uma festa daquelas, me peguei pensando de novo em você. Senti uma puta raiva de mim! "Música boa, pessoas interessantes, tequila... por que lembrar disso agora?" Virei mais algumas doses, tentando me afastar da lucidez. E adivinha? Só piorou. A medida que minhas amigas me entupiam de água e secavam do meu rosto as lágrimas que insistiam em cair, o efeito do álcool ia acabando e o arrependimento se apoderando de mim. Só então compreendi que quanto mais eu me afastasse da razão, mais me aproximaria de você. Porque sóbria eu tinha ao menos a dignidade de não chorar. Não em público! Mas o pior foi a ressaca na manhã seguinte. E não estou falando da parte em que eu mal conseguia abrir os olhos, ou aquela em que o teto do meu quarto girava! E sim da parte em que a dor de cabeça e o enjôo no estômago não chegavam nem perto do vazio em meu coração. Olhei pro espelho e suspirei cansada. Cansada de ser quem me tornei. De me perder na tentativa frustrada de encontrar uma saída. Naquele instante jurei pra mim, que aquela seria a última vez que me prestaria a esse papel. E o primeiro passo era aceitar que a culpa da minha dor era minha. Afinal, enquanto eu me embebedasse de lembranças suas, teria ressacas de você. Foi aí que eu decidi, em todos os sentidos, parar de beber.

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