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Ao longo da historicidade, a humanidade sempre se deparou com alguns paradigmas que, demarcaram os espaços de circulação entre os sujeitos, produzindo perseguições, impossibilitando a vivência e convivência entre grupos com leituras distintas. Por exemplo, dentro da antiguidade, o paradigma de ser espartano ou ateniense, posteriormente o de ser judeu, ou não ser, ou mesmo as constantes guerras simbólicas, culturais, vivenciadas e praticadas pelas comunidades indígenas antes da chegada dos europeus na América, e depois, o genocídio praticado pelos europeus.

 

 

Ao estudar como documento histórico o livro sagrado dos cristãos, a Bíblia, o que mais se torna possível de se encontrar são as guerras entre os inúmeros grupos sociais, são escassos os momentos de paz e harmonia entre os sujeitos.  Esses, assim como outros inúmeros exemplos, sejam em grandes, ou pequenas proporções, possibilitam uma importante definição sobre o comportamento histórico e social da humanidade, principalmente no sentido de que, evidência o caráter de rupturas e perseguições constantes entre sujeitos, sem grandes distinções contextuais.

 

Particularmente, gosto muito de uma reflexão atribuída ao intelectual florentino, Maquiavel (1469-1527), no qual, o escritor de O Príncipe (2015) acreditava na possibilidade de se fazer previsões sobre o futuro da humanidade. As reflexões de Maquiavel se pautavam consideravelmente por meio de uma leitura histórica, e tendo como parâmetro essas leituras, afirmava que, os enredos sociais foram e seriam construídos por homens e, esses sujeitos, segundo o pensador, se parecem muito em suas formas comportamentais, sofrendo poucas e insignificativas modificações.  

 

Por exemplo, seguindo essa linha de raciocínio, ao voltarmos na história encontramos guerras, mortes, genocídios e outras mazelas sociais. Assim, tendo como cartão de visita da história o caráter da violência, não seria difícil imaginar que, as relações de cunho social desenvolvidas no futuro, não seriam muito diferentes daquelas que, caracterizaram as relações desenvolvidas no tempo passado. A partir dessa reflexão, se torna possível atribuir à Maquiavel, um pensamento um tanto quanto pessimista sobre o destino humano. Se por ventura alguém fizer determinada leitura, será eminentemente compreensível.  

 

Porém, prefiro o conceito de realista para se pensar as atribuições do intelectual florentino, principalmente pelo fato de serem oriundas de uma sistemática leitura histórica, como fora demonstrado, e também, muito em virtude de o mesmo se encontrar mergulhado em um contexto de sucessivas guerras entre as incipientes nações europeias. Depois do contexto de atuação de Maquiavel, embora não podemos considera-lo um defensor de uma denominada paz universal, o que temos acompanhado é o ser humano se digladiando, destruindo-se por meio de grandes, ou pequenas guerras, algo que ele percebia ao voltar seus olhos para o passado.  

 

Nós, historicamente e não muito diferente no tempo presente, estamos equidistantes de alcançarmos a sonhada humanidade. Ao fazer determinada afirmação, lembro-me de alguns dos escritos do poeta cubano José Martí (1808-1842), principalmente quando afirma que, convivemos cotidianamente com uma fera interna no qual, em muitas ocasiões essa fera nos domina, alguns conseguem controla-la, outros são inteiramente dominados por ela. Para o escritor cubano, um dos grandes desafios do ser humano era conseguir manter o controle sobre a fera, se eventualmente conseguisse, a humanidade caminharia para idealizada e sonhada fraternidade. Porém, Martí não deixava de reconhecer uma certa utopia em suas próprias reflexões, principalmente no que tange o idealizado domínio humano sobre a fera.

 

Seguindo as diretrizes de José Martí, e também de Maquiavel, acreditar em uma paz universal, quando os seres humanos possam viver em harmonia, respeitando as diferenças socioculturais e toda a carga de valores envolvidos nesse conceito, configura-se, a meu ver, um sonho muito distante de ser realizado. Assim, sem a pretensão de ser anacrônico, continuamos parecidos com os nossos antepassados, sendo dominados pela fera que habita em cada um de nós.

 

A perspectiva nenhum pouco otimista, além de não ser original, não significa um convite para deixarmos o mundo transcorrer de forma ‘natural’, pelo contrário, acreditar na possibilidade de construirmos uma sociedade menos egoísta e consequentemente mais humanizada, configura-se como um desafio importante para a nossa contemporaneidade. Mesmo reconhecendo que, os períodos de paz, sempre foram importantes exceções entre nós.   

 

Ao observamos o nosso passado e, com muita tranquilidade o tempo presente, não nos surpreenderemos com a afirmação que finaliza o parágrafo anterior. Provavelmente, o ato de reconhecer a violência que nos assola, com a qual convivemos cotidianamente em nosso meio, pode ser uma das alternativas para superarmos a nossa histórica crise humanitária. Pode ser. Não tenho muita certeza de viabilizar concretamente essa hipótese. Porém, em momentos de crise, as hipóteses não podem ser descartadas.

 

Boa Semana para vocês!

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"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento."

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