A Cadela do Fascismo Está Sempre No Cio.

Na minha trajetória profissional já convivi com diversos profissionais da educação, conservadores, progressistas, anarquistas, socialistas, socialistas libertários, etc, etc. Sempre respeitei suas posições políticas, porque afinal trabalho com a ideia de respeito aos argumentos contrários. Não é gritando, proferindo chavões, frases, termos rasos, ou pior, alimentando o ódio contra aqueles que sempre foram odiados que vão me convencer. Aliás, na psicologia há um axioma que afirma que quanto mais você grita menos as pessoas te ouvem. No entanto, infelizmente para parte da sociedade brasileira esse discurso de ódio e inimigos internos tem se proliferado, para minha tristeza é claro, porque sei o resultado histórico que isso produziu. São discursos que atacam indivíduos, grupos, sujeitos, os culpabiliza dos problemas e incentiva subliminarmente a eliminação destes.


Para o país melhorar esses sujeitos devem ser mortos, abandonados, privados de direitos. Não há uma análise do processo histórico/geográfico de constituição do Brasil, por incapacidade ou intencionalidade na criação de uma atmosfera parecida com a estratégia da ideologia de segurança nacional da ditadura militar. Mas pior do que isto, são discursos profundamente violentos, tantos nas palavras ditas, quanto nos sentidos que elas remetem, diria que elas atacam nossa casa do ser.

Aprendi com uma professora judia, que trabalhei na prefeitura de Goiânia, o sentido e o peso que tem determinadas palavras. Ela dizia que o seu sobrenome judeu era sagrado, que não deveria ser sinônimo de chacota, piada, irônia, merecia respeito porque havia sido desrespeitado historicamente. E pior, sua família tinha sido dizimada nos campos de concentração da Alemanha simplesmente por serem judeus. Bem, o mínimo que eu deveria fazer era respeitar o seu desejo então, para não ferir sua individualidade, até porque deveria me solidarizar com a dor das perdas que ela havia sofrido, simplesmente por ter nascido judia. Se fizesse o contrário, deveria me sentir um lixo, um energúmeno, porque havia perdido a capacidade de agir como ser humano.

Então caros amigos de rede social, pessoas que começam seu argumentos utilizando características físicas depreciativas, (gordo, magro, corcunda), ou que as utilizam no decorrer de seus argumentos, que remetem a elementos biológicos, de gênero, (preto, bichinha, sapata), etc, etc, para justificar a suposta inferioridade de alguém me parece desrespeitoso e pouco convincente já no seu próprio discurso. Além do mais, fazem um discurso fácil, se apropriam dos preconceitos, racismos e outros elementos negativos da sociedade para elaborar um discurso raso, pouco reflexivo e profundamente irradiador do ódio. Esse discurso fácil, simplista convence pessoas que precisariam de Rivotril, ou ainda aqueles que preferem destinar aos outros a culpa dos seus próprios problemas e fracassos, "o inferno são simplesmente os outros."

Mas para além destas questões psicológicas/individuais, a adesão a esse discurso remete a profunda problemática da nossa política de Estado para a educação, a falta de democratização da mídia e a permanência da racialização nas relações e no discurso social, entre outros problemas. O abandono, a precariedade da educação brasileira cria uma sociedade que adere facilmente a discursos prontos, de fácil ingestão, porque não coloca em questão as velhas verdades, as compreensões e entendimentos vigentes no discurso social. Isso faz com que sujeitos oriundos de famílias negras adorem políticos que professem ódio ao negros, ou sujeitos com descendência indígena recaiam na mesma questão, assim como filhos de camponeses(as) votem em políticos que são contrários a esse grupo social. Mas você não precisa ser filho de negro, indígena, camponês, homossexual para respeitá-los, basta se tornar ser humano para fazer isso. Também não precisa ser pós-doutor, ou estudado com se diz para respeitar o outro, olhe para suas experiências, suas vivências, reconheça seu lugar no mundo e pare de disseminar o ódio, do contrário você estará fecundando a cadela do fascismo. Mas se no final você concorda com discursos fascistas, de disseminação do ódio, me faça o favor, me exclua de seu ciclo de amizades, pois eu me sinto desrespeitado pelas vídeos que você posta na rede social, pois sou acima de tudo ser humano, discutir ideias é uma coisa, pregar a eliminação do outro é outra completamente diferente.

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"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento."

Platão

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