Os Devaneios do Caminhante Solitário

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), filósofo, romancista, teórico e músico suíço, é autor de, entre outros, Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens (1755) e O contrato social (1762). Aos dezesseis anos deixou sua cidade natal e viajou por diversos países. Tornou-se secretário e protegido de madame Louise de Warens, mulher rica que teve profunda influência na vida do escritor.



Os devaneios do caminhante solitário é uma obra magna de erudição de Rousseau foi o seu último escrito antes de sua morte. O livro apesar de inacabado relativamente pequeno trás ideias profundas sobre a natureza humana. Toda sua tessitura mostra a essência do “ser” e como o mesmo vai se moldando no decorre do tempo. O autor pauta questões simples do nosso cotidiano, mas são coisas elementares que muita das vezes nós tentamos entender e não conseguimos.


A primeira caminhada Rousseau se encontra melancólico por perder todos os seus amigos e ser zombado por causa da sua maneira de ver o mundo e se situar no mesmo, pelas suas teorias humanísticas. Em primeiro momento o capítulo nos parece muito mais um desabafo sobre como um ser humano tão erudito como ele fosse submetido a tanta nostalgia. A maior queixa do mesmo e sobre os seus perseguidores. Uma frase do livro que resume bem os sentimentos de Rousseau “Tomei a única decisão que me restava a de me submeter ao meu próprio destino sem mais resistir ao inevitável”.


Na segunda caminhada o autor relata sobre seus passeios. “O que fiz neste mundo? Fui feito para viver, sem ter vivido”. mostrando sua paixão pela paisagem. Ele conta a história de um acidente que aconteceu com ele. Quando foi atacado um por cachorro. O imprevisto não o deixou tão espantado, mas a preocupação que algumas pessoas tiveram com ele em relação ao ocorrido. Portanto, fica a dúvida, que preocupação é essa? Assim como à senhora que elogia ele no prefácio de seu livro, um momento que ele se encontra excluído da sociedade.


A terceira caminhada trás várias indagações, como contando um pouco da sua educação religiosa que ele teve. Quando ele chega à adolescência começa a ter contato com filósofos pagãos que abala essa fé, porém não acaba com a mesma. Rousseau em linhas gerais diz que a filosofia ofereceu há ele muito mais dúvidas e perguntas do que respostas e conforto intelectual.


Rousseau se encontra em uma condição paradoxal. O mesmo abre está caminhada com uma frase “Envelheço aprendendo sempre”. Mesmo angustiado com seus perseguidores ele conseguiu ter lucidez na velhice de pensar, problematizar e perceber os limites da própria razão. A sua humildade de reconhecer a ignorância que o rodeia, faz uma crítica à filosofia proposta por filósofos da época, que construíu uma filosofia para os outros e não para compreender a si mesmo.


“O interesse particular quase sempre está em oposição ao interesse público”. Rousseau abre a quarta caminhada fazendo uma análise sobre o conceito de verdade e simultaneamente conta histórias de acontecimentos em sua vida como acusar uma mulher de ter roubado algo. Sendo que foi ele que roubou no período da sua infância. Este fato marcou a sua imaginação. Ele também lança dentro do enredo do texto o conceito de mentira e faz uma análise ponderada sobre o mesmo. A relação verdadeiro e falso está presente no decorrer de toda a trajetória do texto. O autor acredita que a verdade pode nos atribuir virtudes, mas ao mesmo tempo questiona as verdades universais que são imutáveis. Esses dois conceitos vão se desencadear em todo o processo histórico dentro do pensamento filosófico.


Rousseau se apresenta mais alegre na quinta caminhada, mesmo sendo uma alegria passageira como as outras, mas qualquer leitor percebera a animação dele neste tópico. Um lugar de prazer à ilha de La Motte um local belo segundo ele. O autor disse que sentiu uma felicidade genuína quanto residiu na ilha. Afastado de toda a perturbação que a sociedade impõe. Mostrando um grande interesse pela flora e fauna e o estudo da botânica. A ilha oferecia tudo a ele paz para pesquisa longe de todas as maldades da humanidade. Ele faz um pequeno esboço sobre a felicidade e diz que a mudança e a única coisa permanente no universo, que os seres humanos estão sempre em constantes mudanças.


Na sexta caminha fica nítido que ele quer mostrar que a liberdade é essencial na vida do ser humano. Ele inicia o capítulo com uma pequena história de um garoto que sempre pedia esmola e ele sempre que passava por aquele local dava uma moeda para o menino. O enredo da história começa quando Rousseau se sente obrigado a dar a moeda toda vez ele perceber que não é mais um ato de caridade e sim uma obrigação. Assim, que está atitude para ele não é mais conveniente ao ser humano se sujeitar a obrigações que nós devemos ser livres e não submeter a obrigações. Frase do Autor que define bem esse capítulo. “Nunca acreditei que a liberdade do homem consistisse em fazer o que quisesse, mas sim em nunca fazer o que não quisesse”.


“Dedicar-se aos passatempos que me agradam é uma grande sabedoria e até mesmo uma grande virtude”. Rousseau nesta frase acima nos dar um pequeno e superficial entendimento sobre a sétima caminhada sua paixão pela botânica e coloca em pauta a medicina e que sempre utilizou a flora em seu próprio benefício. Rousseau diz em linhas gerais que a botânica foi uma das maiores paixões de sua vida para apagar o mal logrado que o destino lhe concedeu. A botânica e a herborização são os passatempos que coloca em voga na obra. Está atividade utilizada para fugir do tédio da solidão e esquece a maldade dos homens.


Rousseau utiliza um termo chamado “amor próprio” que define o amor a si mesmo. Ele aprendeu no decorrer de sua vida que era necessário gosta dele mesmo. Essa oitava caminhada nos apresenta uma dicotomia nos levando a pensar que diante de uma determinada situação nós podemos reagir de duas formas uma é se afogar em meios as dificuldades que a vida nos impõem e a outra visão e que mesmo em meio as dificuldades nós devemos sobressair aos acontecimentos. Quando você deixa de resistir ao inevitável e se adapta ao destino que você foi submetido e mais fácil para lidar com estes momentos de forma cautelosa. O autor enfatiza que a força para encarar os maus logrados não vem dele, mas de seus inimigos.


A nona caminhada começa falando sobre o conceito de felicidade nos levar a pensar que tudo flui tudo muda que nós estamos sempre em mutação. A felicidade para Rousseau é algo que proporciona felicidade constante, mas que isso não foi feito para o homem neste mundo. O autor tem uma grande paixão por crianças é algo que o alegra. No texto a trechos de histórias sobre sua relação com as crianças, a uma nostalgia em seu coração de ter abandonados seus filhos.


A decima caminhada Rousseau enfatiza ter vários anos de vida, mas vivido poucos. A vida muito mais o entristeceu do que o alegrou. A humanidade para ele foi um dos motivos de suas tristezas. Assemelha os seus poucos momentos de felicidades quando ele viveu com a senhora de Warens. Sua obra não deixa claro se eles tiveram algum relacionamento amoroso. Foram os melhores momentos de sua vida ao lado dela. Rousseau viveu com vontade de viver, coisa que ao longo da sua obra ele mostra muito mais tristezas do que alegrias.


Os conceitos encontrados dentro do texto são problematizados e refletidos pelo autor de forma lúcida, como felicidade, tristeza e o tempo são os objetos de estudo deste livro. Mas Rousseau trás sua própria biografia para tentar explicar a natureza humana. Assim o mesmo expõem suas experiências vividas para mostra à essência do “ser” com sua visão romântica ele acredita que o ser humano é naturalmente bom e a sociedade corrompe essa bondade.


A obra e dividida em dez capítulos, cada um parece tratar de um tema diferente. Uma obra que busca criticar o modelo de sociedade que foi se formando ao longo do processo histórico, onde o autor procura mostra suas alegrias e angústias sobre a natureza dos indivíduos trazendo os dessabores que ele mesmo enfrentou em sua vida.


*Iago Brasileiro

Graduando do 5º Período de História da UEG – Câmpus Porangatu.

"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento."

Platão

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