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O Homem de Plástico: Um diálogo entre Bauman e Thom Yorke

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Nasci no fim da década de 80 mais precisamente em 1988, um ano após o meu nascimento caia em Berlin o muro que separava o mundo em dois grandes polos (não tenho nada a ver com isso), junto com a queda deste símbolo veio também a ascensão e a expansão de um pensamento hegemônico: O CONSUMO, mas não somente o consumo para satisfazer as necessidades humanas, mas sim um consumo voraz, compulsivo, frenético, que prometia a satisfação imediata, a felicidade instantânea, e para atender este novo modelo de consumo veio também uma nova forma de mercadoria: OS DESCARTÁVEIS. Assim posso dizer que nasci e fui criado naquilo que muitos teóricos chamaram de Pós-modernidade.

 

 

A década de 90 foi a década da construção do imaginário da praticidade que os descartáveis tinham a oferecer, pensamento este que facilmente se embricou no cotidiano de todos nós. Rapidamente garrafas de vidros foram substituídas por garrafas Pets, sacolas de tecido substituídas por sacolas de plástico e assim o processo simples do comprar, usar e descartar se estendeu por uma infinidade de produtos que prometiam facilitar a vida do consumidor, e aumentar as taxas de lucros dos fabricantes, esquecendo quase por completo as consequências de um amontoado cada vez maior de lixo descartado.

 

As mudanças advindas deste processo não se restringe apenas a relação produto/consumidor, o modo de vida estabelecido pelo consumismo modifica também as relações humanas e por fim o próprio ser humano acaba por se transformar em uma mercadoria descartável neste novo arranjo social. A canção Fake Plastic Trees da banda inglesa Radiohead, faz uma bela crítica a respeito desta situação chamando a atenção para o caráter artificial dos relacionamentos pós-modernos, onde a vida é substituída pelo plástico que conserva uma bela aparência e ao mesmo tempo esconde um interior vazio. É claro que a música trata do plástico em um sentido simbólico, uma metáfora para a superficialidade dessa nova forma de se relacionar, mais fluida, mais dinâmica e mais carente de verdades e sentimentos sinceros.

 

Apesar da música tratar do campo simbólico, não é difícil encontrar exemplos reais onde a artificialidade chegou ao ponto de substituir o próprio corpo. Tem se tornado comum manchetes de jornais onde homens se casam com bonecas de plástico, o mercado de órgãos sexuais tanto masculinos quanto femininos vem apresentando índices crescentes de vendas nas lojas especializadas, fazendo com que até mesmo o sexo venha a se transformar em algo artificial e descartável. Até mesmo os corpos humanos vem passando por significativos processos de “plastificação” (ou “siliconização” se você achar mais apropriado) onde diversas modificações cirúrgicas vem sendo realizadas onde é injetado material artificial, remodelando o corpo para atender ao novo padrão estético dominante.

 

O próprio conceito de estética vem ganhando em importância, e os cuidados com a aparência vem se tornando a grande prioridade de nossa sociedade. O importante é o parecer belo, é investir tempo e dinheiro na produção da mais bela embalagem, para que esta seja objeto de desejo do máximo de consumidores que passam pelos corredores, e assim, a essência e o conteúdo perdem em importância, viram segundo plano, ao ponto de atribuírem a seres humanos pseudônimos de objetos de decoração como “samambaia” ou de alimentos como “melancia”, “melão”, “filé” (Até parece mesmo um corredor de mercado!). Aqueles que adquirem exito nesta produção da mais bela embalagem passam a ser reverenciados e adquirem o status de modelo a ser seguido, dai o grande sucesso das blogueiras fitness do momento.

 

O sociólogo Zygmunt Bauman em seu livro “Amor Liquido” nos apresenta o quanto as relações humanas vem se transformando diante desta postura descartável que a cultura do consumo nos trouxe, onde  a mesma lógica de atração desempenhada pelas lojas de um shopping é reproduzida pelos relacionamentos da pós-modernidade, em que a ideia de satisfação imediata é colocada como determinante, o amor a primeira vista típico das micaretas e o sexo casual sem necessidade de sentimento, usado uma vez só e descartado na manhã seguinte. Se configura a formação de relacionamentos feitos para acabar, com prazo de validade, e facilidade de troca, antes de mais nada, eminentemente descartáveis. Para Bauman até mesmo o desejo perdeu seu sentido, pois para haver desejo é necessário um tempo de contemplação até o ganho daquilo que se deseja, para ele o que hoje há é a simples vontade de consumo compulsivo das relações, assim como alguém que entra em um shopping e compra uma roupa sem ter saído de casa com essa intenção ou mais precisamente com esse desejo.

 

A imagem de Thom Yorke com o semblante melancólico dentro de um carrinho de mercado no clipe de Fake Plastic Trees é bastante simbólica, e representa o quanto esse modo de vida que promete ser prático e facilitador na realidade é triste e vazio, e que no fundo mesmo os que defendem este aspecto transitório dos relacionamentos desejam em algum momento encontrar solidez e verdade em alguém, para que, quem sabe um dia abdiquemos das aparências o possamos aprender ver e valorizar a essência, e quem sabe possamos reaprender a nos relacionar, a sentir e a amar plenamente novamente.

 

"O amor é a única revolução verdadeira!"

 

 

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"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento."

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