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O Ódio a Política, o Voto de Protesto e Nosso Urso Waldo

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Diante de toda a sujeira e podridão da política nacional, fica quase impossível tocar no assunto sem se indignar, sem se irritar com as relações promiscuas de trocas de favores e os privilégios dados a eles por eles mesmos enquanto, uma grande massa de pessoas vive nas mais diversas situações de precariedade.  Reclamar dos políticos é quase um reflexo natural para o brasileiro, e no tribunal de rua da opinião pública a classe dos políticos é sem dúvida a mais odiada do País.

 

 

Mas sempre que algo desperta em nós o ódio, é preciso parar, respirar fundo, e refletir muito para não corrermos o risco de nos afastarmos da razão. Não me entendam mal eu não estou querendo “defender bandido”, não estou querendo defender os políticos que temos (talvez isso seria impossível), mas quero aqui tentar defender a política como instrumento de poder e transformação do espaço em que vivemos. Já parou para pensar o porquê de uma empresa multimilionária como a famosa Odebrecht injeta dinheiro na campanha de políticos de diversos partidos, ou porquê dezenas de grandes latifundiários se tornam deputados federais, ou porquê um empresário como João Doria que possui um patrimônio superior a 170 milhões de reais entra para a vida pública? Certamente não é porque estão preocupados com o bem estar da população brasileira, mas porque esses homens sabem muito bem que é ali que as coisas acontecem, é ali que as leis os beneficiarão, é ali que eles possuirão um poder além daquele que o dinheiro que possuem pode oferecer. Abdicar-se da política sob o pretexto de que não há solução é entregar de bandeja a mais poderosa arma de uma sociedade civil na mão das pessoas mais sem escrúpulos. Para Voltaire (François Marie Arouet, filósofo iluminista do Séc. XVIII) “A política é o meio pelo qual homens sem princípio dirigem homens sem memórias” de lá pra cá não mudou muita coisa, eu acrescentaria que dirigem homens sem memória e sem capacidade de discernimento para identificar quem realmente os representa.

 

Estabelecido o ódio e a descrença entre o povo ficamos à mercê de mais uma grave ameaça ao processo democrático: O “voto de protesto”. A população não sentindo-se representada por nenhum dos políticos que ali se apresentam decide votar em um elemento novo, caricaturado e ridículo que em nada contribuirá para uma real mudança. Foi assim que em 2010 o palhaço Tiririca foi eleito com mais de 1,3 milhões de votos, se tornando um dos deputados federais mais bem votados da história do Brasil, assumindo publicamente não saber o que um deputado faz e com o bordão “Pior que tá não fica”. Que ledo engano! Até nisto ele provou estar equivocado.

 

A lista destes chamados “votos de protestos” é extensa e poderíamos ficar aqui por dias citando, ex BBBs, cantores Pops, funkeiras, comediantes, jogadores de futebol entre outros, até aí ficamos no âmbito do voto desperdiçado pela incompetência para a função ou pela falta de comprometimento com causas sociais importantes. O problema se agrava quando o voto de protesto se propõe a alavancar um candidato que se apresente com discursos de ódio e violência.

 

Na série americana Black Miror o episódio 3 da segunda temporada intitulado “The Waldo Moment” nos traz uma fantástica representação deste tipo de “voto de protesto” o antí-politico. Waldo é um personagem de desenho animado em um programa de humor, e que seus palavrões e sua completa falta de respeito por todos os convidados faz dele uma celebridade de grande audiência. O deboche em relação aos políticos locais alavanca a popularidade de Waldo a ponto de o lançarem como candidato na corrida eleitoral.

 

Waldo não se apresenta como um político, pelo contrário rejeita esse título, um personagem falso mas que na visão do eleitor pouco politizado diz mais “verdades” que o político comum, mentiroso e corrupto, a linguagem de Waldo é de fácil compreensão as massas, fala alto em linguagem popular e na hora que é apertado e faltam os argumentos sobram palavrões, e é nesse momento em que é mais aplaudido, a presença dele empobrece a possibilidade de um debate de ideias realmente sério, porque não importa o que ele diga o quão ridícula, preconceituosa ou violenta seja sua fala a população o aplaudirá simplesmente por ele não se afirmar como um político, ele não trará mudanças ele não possui propostas, mas ele personifica todo o ódio que a população nutriu em relação aos políticos.

 

Waldo é um personagem de uma ficção mas que não é diferente de alguns políticos que temos por aqui que percebendo esta brecha aberta pelos escândalos de corrupção recentes se fortaleceram entre as massas com a mesma plataforma de Waldo, figuras como Jair Bolsonaro tem ganhado popularidade com discursos autoritários e de ódio as minorias, e mesmo assim seus seguidores o defendem com o assustador bordão “O chamam de machista, homofônico e racista por que não podem chama-lo de corrupto”. Como assim?! A cegueira chegou ao ponto de cogitarem a presidente um saudosista dos tempos de ditadura, alguém que homenageia um torturador durante uma votação simplesmente por que ele se diz não ser político como os outros, alguém que diz os mais absurdos disparates, e ainda assim é blindado por seus seguidores com a justificativa de que “ele diz o que pensa”. Ao meu ver essa irracionalidade chega a ser assustadora.

 

Os políticos que temos não merecem nenhuma defesa, mas se a situação hoje está ruim, não será abdicando da razão que a solucionaremos, não solucionaremos nada elegendo um déspota autoritário ou um palhaço e se o povo continuar a tratar a política de uma forma tão irresponsável e displicente certamente mostraremos ao Tiririca e ao mundo inteiro que é possível sim ficar muito pior que está.

 

Boa semana a todos e que possamos abrir os olhos diante do abismo a nossa frente a tempo.

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"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento."

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