Além dos Muros

Fico a imaginar o que pode haver “Além dos muros”, se lermos um livro, e o tal livro for “1984” de George Orwell, e se ler outro, e o tal for “Crime e Castigo” de Dostoievsky. Iremos muito além, pois a densidade de tais leituras nos subverteria a um outro patamar. Se você ver filmes com qualidade, na qualidade de “Aquarius”, filme brasileiro que detona a especulação imobiliária, ou se ver o Mr. Nobody (Senhor Ninguém) ou qualquer um Tarkovsk, tipo “Nostalgia”, ao acabar de ver os mesmos, estaria além, muito além.


Querer estar além, passa pela consciência e pelas escolhas de não ficar na mesmice das misérias que nos querem entupir pela midiocracia. Ouça o novo cd de Biquini Cavadão “As voltas que o mundo dá”, ou passeie pela estrutura textual do cd “Dream” de Tashaki Miyaki, não esqueça de ouvir músicas do falecido Belchior, por exemplo “Madame Frigidaire” e se delicie com a poesia anárquica da crítica ao capitalismo. Ouça clássicos, como os de Vangelis e seu “Conquest of Paradise”, faça um revival com Beethoven, Vivaldi e o Bolero de Ravel. Leia quadrinhos de Jose Sacco e veja a realidade da Palestina com outros olhos, ou “Pílulas azuis”, e se emocione com a vida de um casal em que a mulher contraiu o HIV, mas o marido o apoia.


Precisamos beber do “The Wall” e descontruir os muros, retirar os tijolos que nos impedem de viver de verdade; pesquisar novas fontes para perceber o outro, a diferença como parte de um todo que nos faça crescer, mover o mundo sem as mãos de um “Deus Hipócrita” criado por homens que se escondem detrás dessa crença humana, longe de ser divina, pois o Deus dessa terra como diria Nietzsche “morreu”. Ir além dos muros, sair da estrada dos tijolos amarelos, brincar de amarelinha, subir em árvores, pique esconde, longe, longe desse mundo voraz, insaciável que só nos gera ansiedade. A cidade, a metrópole, o beco, os muros e as grades nos faz sentir em uma vida vazia. Que o entretenimento seja puro, sem capital e materialidade, mas com o coração e o afeto. Pule o muro, vá além dos muros.


Emerson José Campos

Descontruindo o muro ao seu redor.

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"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento."

Platão

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