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Só mais um Riso

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É muito provável que depois do último período ditatorial (1964-1985) vivenciado pela sociedade brasileira, o contexto atual seja o mais triste. A tristeza nos resume enquanto conjunto social, porque perdemos a capacidade de sermos felizes. Procurar compreender como esse estado de espírito se apossou de nós é um processo complexo, porque ele se desenvolveu rapidamente, se distanciando do conceito de longa duração que permeia nos fenômenos sociais.

 

 

De uma histeria que marcou a sociedade brasileira no início do século XXI, resultado de crenças que o país poderia se tornar uma das economias mais viáveis do mundo, conjuntamente com a diminuição da vulnerabilidade social, a inserção das camadas menos favorecidas nos espaços escolares, com destaque para o meio universitário, Copa do Mundo que prometia remodelar as cidades e consequentemente o país, Olímpiadas idem, e outros fatores fizeram a sociedade acreditar que finalmente o país do futuro havia chegado.

 

No entanto, a sensação de pertencimento à um país em importante e constante processo de desenvolvimento, ficou somente no campo das impressões, porque o país tido e compreendido como o da alegria, do otimismo e da autoafirmação, cedeu lugar para a tristeza, e desse estágio migramos rapidamente para o espaço do compartilhamento do ódio. Embora os dois fenômenos estejam umbilicalmente relacionados.

 

Talvez a afirmação possa parecer um pouco equivocada, mas o leitor(a) dessa coluna não poderá ignorar que há dez anos atrás o país vivenciava uma euforia coletiva como provavelmente “nunca” em sua história havia vivenciado. Do país que parecia romper com a síndrome do vira-lata, conceito defendido pelo dramaturgo Nelson Rodrigues, nos encontramos atualmente como o país, no qual uma parcela social acredita em Jair Bolsonaro como a solução para os problemas, e concomitantemente com ele, na intervenção militar. Da euforia ao autoritarismo em menos de dez anos. Há uma mudança de estado social considerável, não?

 

Imaginemos há dez anos atrás, independentemente do governo, haveria espaço para Jair Bolsonaro no cenário político brasileiro? Provavelmente responderemos que não, mas havia sim. Há dez anos Jair Bolsonaro era um insignificante Deputado Federal, com mínima capacidade de penetração no Parlamento e um desconhecido representante de poucos saudosos da ditadura militar. Sempre é importante ressaltar que o mencionado Deputado já está há mais de trinta anos na vida pública e política, trazendo consigo um filho que também é Deputado Federal por São Paulo e outro que é Deputado Estadual pelo Rio de Janeiro. Então, os problemas sociais que Jair Bolsonaro diz que irá resolver, ele como representante do político profissional ajudou a construir.

 

Possivelmente seja um grande equívoco acreditar que somente em nosso contexto as figuras autoritárias apareceram, como o mencionado Deputado, esses indivíduos apaixonados pela opressão sempre estiveram na ativa, porém, eram silenciados pelo conjunto social. Assim, o que fez e faz eles terem maior penetração e serem cogitados e cortejados por uma parcela significativa da sociedade é justamente o meio social. Porque foi esse meio que deixou de se alegrar, de sorrir, de acreditar em sua capacidade de transformação, abrindo literalmente brechas para a inserção da tristeza e desse estágio, como já mencionado, rapidamente migramos para o ódio.

 

Na situação do ódio como representação coletiva, sempre há a crença de que existem os culpados pela miséria, e que esses que forem atribuídos os títulos de responsáveis devem ser rapidamente eliminados por alguém que se credita superior a eles, ou seja, um super-herói, salvador da pátria. Defender a eliminação do outro como solução social somente se manifesta em uma sociedade permeada pelo ódio. No seu contrário, ou seja, no riso contagiante o ódio indubitavelmente não tem vez e muito menos voz.

 

O historiador francês Georges Minois no seu belíssimo livro História do Riso e do Escárnio, afirma que é possível compreender um contexto social pela forma como as pessoas sorriem, porque o que leva essas pessoas a rirem são os fenômenos que se manifestam no dia a dia. E em uma sociedade que não sorri mais como a brasileira, quais seriam, ou são os resultados?  Em tese, apologia ao estado policialesco, insuflação de todos os tipos de preconceitos, defesa do estado militar, e crença em um salvador da pátria.

 

A falta do riso no contexto atual, infelizmente, levou aos resultados mencionados acima. Assim, para termos uma condição mínima de reversão do quadro, não há dúvidas que a inserção novamente do riso no seio social se apresenta como a alternativa mais viável. Desse modo, não tenha receio em socializar o riso, em abraçar as pessoas, de beijá-las, compartilhar amor e felicidade, de preferência pessoalmente, não pelo Facebook por ser uma felicidade um tanto quanto superficial. Abrace, beije, sorria.

 

O riso não é somente transgressão, mas é o caminho mais viável para a tão necessária transformação da sociedade, como assegura Armand Petitjean: “Não há nada que um humor inteligente não possa resolver com uma gargalhada, nem mesmo o nada”. Se o nada pode ser vencido pelo riso contagiante, por que não acreditar na derrota do ódio por esse mesmo mecanismo? As grandes revoluções acontecem, primeiro, por meio das minúcias do cotidiano.

 

Abraço e boa semana para vocês!.

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"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento."

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