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A consciência negra de novembro


E por falar em novembro, estamos no mês para pensar e refletir sobre a consciência negra. Talvez deveríamos ter doze meses de novembro para humanizar tal discussão e realidade concreta. Vivemos em um país com um processo de discriminação estrutural e que se faz sentir em nosso dia a dia sempre. Não precisamos de uma estrutura científica robusta para trazer à tona essa realidade historicamente constituída. O racismo estrutural é constituído historicamente.


Basta olharmos ao nosso redor e vamos compreender como esse racismo estrutural se faz sentir em todos os cantos de nossa sociedade. Aliás, criou-se uma falsa premissa de que vivemos em um país que não há discriminação para com o povo preto, tudo porque tivemos uma libertação dos escravos patrocinado por um Império em decadência. E o processo libertador sempre foi de muita luta, resistência e resiliência, desde o processo diaspórico perpetrado pelo mundo ocidental europeu, desde a chamada modernidade.


Temos a certeza de que tal processo de racismo se faz sentir nas ruas, nas escolas, no trabalho público e privado, enfim, em nosso cotidiano por esse Brasil afora. Basta olharmos quem foram os grupos sociais que foram ‘guetados’ – colocados em comunidades de bairros afastados, nas casas amontoadas, sempre vistos como o local da violência.


Com a construção de nossa nação brasileira, com o Império, formação de nossa República em 1889, quando se produziu um golpe para dizer que colocaria o Brasil nos rumos do progresso e desenvolvimento. Parecia que a nação abraçaria os seus filhos, independentemente dos sujeitos sociais e sua condição econômica e cultural.


Mas o mês da consciência negra/preta deve ser um olhar para que compreendamos que foram esses sujeitos históricos deixados excluídos, primeiros como filhos de nossa terra, sem acesso à educação formal, recriminados diante da religiosidade de matriz africana; pensemos na condição das mulheres pretas, na condição de exclusão da posse da terra e, pior, no racismo estrutural que deixou-os fora da sua própria história como sujeitos dessa construção de brasilidade.


Enfim, falar do mês da consciência negra/preta é mais do que refletir nos espaços escolares, de todo os níveis, mas fazer valer direitos humanos para com o povo preto em sua essência e aparência. Reconhecer a história e sua vida em nossa terra Brasil. Esse olhar de um “passado cheio de agora” - (Benjamin, 1994) - fazendo valer essa resiliência e de que são sujeitos importantes no processo de construção de nossa nação em todos os aspectos; sociais, econômicos, políticos e culturais.


 Não se pode querer igualar ao mundo dos brancos, negando sempre a tese do branqueamento racial, mas sabendo respeitar e reconhecer todos os negros como sendo cidadãos que se fez e continua a fazer a ação social, política, econômica, cultural e psicológica com um processo de respeito para com todos. Que acabemos com as piadas, as frases com duplo sentido, o olhar estranho para com o povo preto e façamos cessar a violência física, simbólica, sexista, psicológica e racial para os construtores de nossa terra brasilis.


Aí sim, criaremos um sentido da luta de classes que será importante para refletir e colocar na ordem do debate o sentido do mês e dia da consciência negra. Pensem no quanto somos um país que dissemina o racismo estrutural. Temos que lutar para eliminar de vez tais preconceitos.

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