A PAIXÃO*



Os devotos do Divino, negros bem vestidos ou brancos em farrapos com seus

chapéus de couro ou com ternos e gravatas, vão abrir sua morada, e nela

entrará o canto que ecoa do chão, da terra, do ventre.


O anúncio é feito por uma bandeira do menino, que não foi bem nascido, mas é

bem amado!

Seja bem-vinda, seja louvada, é uma bandeira anunciada!


Os devotos do Divino, estrangeiros sedentos de pão e água, indígenas

sedentos de terra e respeito, vão abrir sua morada e dela sairá o canto de luta

do povo que conhece o chão, a terra, o ventre.


O anúncio é feito por uma bandeira do menino, que não foi bem nascido, mas é

bem amado!

Seja bem-vinda, seja louvada, é uma bandeira anunciada!


Deus nos salve esse devoto, enviado como enseada de amor.

Pela esmola em vosso nome, que carrega em suas mãos, a santidade e a

benção.

Dando água a quem tem sede nesta terra de gemidos latentes.

Dando pão a quem tem fome, dando força a quem é da luta, dando voz a quem

um dia foi calado (a).


Deus nos salve esse devoto, que ainda vive em nós!

Pela esmola em vosso nome, pela luz que nos emana na escuridão do mundo

fadado a ilusões mercadológicas.

Dando água a quem tem sede, sede de água límpida; não lama que varre,

assola, mata!

Dando pão justo a quem tem fome de justiça, nesta terra de coelhinhos e ovos

de Páscoa.

1 Crônica escrita a partir da música “Bandeira Do Divino” – Ivan Lins.


A bandeira acredita no reino do aqui e do agora, baseado no amor e na

partilha.

Que a semente santa seja tanta, quanto as más línguas que ousam anunciar o

bendito

Que essa mesa seja farta e não nos falte esperança para os povos e

comunidades da terra.

Que essa casa seja dadivosa, aberta a receber e a doar afeto aos corações

aflitos.


A bandeira acredita na ressurreição de um projeto de amor e de partilha.

Que a semente seja santa, seja tanta e dividida com quem pedir com olhar.

Que essa mesa seja farta não para selfie, mas para saciar a fome do corpo e

do espírito.

Que essa casa seja santa, dando-nos a esperança de outro reino, onde haja

respeito entre os povos e entre os homens.


Que o perdão seja sagrado e não falado em vão!

Que a fé seja infinita e sustente nossas mãos!

Que o homem seja livre e se faça livre no aqui e no agora.

Que a justiça sobreviva aos tempos de retrocessos.


Que o perdão seja sagrado e não falado em vão!

Que a fé seja infinita e sustente nossas mãos!

Que o homem seja livre e se faça livre no aqui e no agora.

Que a justiça sobreviva aos tempos de retrocessos.


Assim como os três reis magos, presentes ofertaram com presença.

Seguiram a estrela guia que nos é neste tempo, a esperança do novo.

A bandeira segue em frente, vibrando dadivosa atrás de melhores dias, seja

aqui no chão árido ou na vereda fértil.

Assim como os três reis magos, presentes ofertaram com presença.

Seguiram a estrela guia que nos é neste tempo, a esperança do novo.


A bandeira segue em frente, vibrando dadivosa atrás de melhores dias, seja

aqui no chão árido ou na vereda fértil.


No estandarte vai escrito uma verdade esperada:

Ele voltará! Ele nunca se foi de nosso meio!

O rei será bendito, um rei de caridade, afeto e empatia.

Ele nascerá do povo, ele nasceu do povo, ele é do povo!


No estandarte vai escrito uma verdade esperada:

Ele voltará! Ele nunca se foi de nosso meio!

O rei será bendito, um rei de caridade, afeto e empatia.

Ele nascerá do povo, ele nasceu do povo, ele é do povo!




*Crônica escrita a partir da música “Bandeira Do Divino” – Ivan Lins.

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