Destruição ambiental no Brasil



Os grupos que detêm o poder econômico no país coordenam, de forma explícita, os caminhos das políticas ambientais. Procuram, por meio desse controle, obterem mais poder e não sofrerem as consequências com a destruição ambiental que proporcionam. Aproveitam-se do fato de ter na Presidência da República um projeto de governo que compreende os povos originários, a natureza e toda a sua biodiversidade como verdadeiros empecilhos que precisam ser eliminados para que a exploração e os lucros possam prevalecer acima de tudo e de todos.


Além de serem detentoras de um projeto contrário ao meio ambiente, mineradoras, madeireiras, garimpeiros e o agronegócio contam com a subserviência dos poderes constituídos. Esses poderes têm condições de criarem mecanismos de proteção ambiental, porém não o fazem. Nesse momento, tanto a Câmara quanto o Senado não se movem para impedirem a destruição em curso. Pelo contrário, representado por seus presidentes, “as casas do povo” flexibilizam todo e qualquer tipo de proteção ao meio ambiente, contribuindo para que os detentores do Capital possam facilmente invadir, explorar as reservas ambientais, assassinar e perseguir povos originários, servidores públicos da FUNAI, ribeirinhos e tantas outras pessoas que são fundamentais para que as Florestas continuem de pé.


Existem, evidentemente, importantes parlamentares tanto na Câmara Federal quanto no Senado que são defensores e militantes ambientais, tentando impedir de todas as formas esse projeto de destruição. Porém, esses/as parlamentares, neste momento, não têm forças suficientes para enfrentar ou pelo menos diminuir os efeitos da destruição. No mesmo sentido, da impossibilidade, a população, infelizmente, convivendo com a miséria, com a fome, com a insegurança alimentar e o desemprego parece não ter condições para se levantar e lutar enfaticamente contra a devastação ambiental coordenada pelo governo federal. Diante da impossibilidade de lutar e resistir, o governo Federal aproveita-se desse estado para passar, literalmente, a boiada.


Observando todo esse cenário desolador, quando a oposição não tem forças suficientes para impedir o retrocesso, e a população convive com a miséria batendo na porta, uma política de proteção ambiental no Brasil parece, quase que prioritariamente, dependente da eleição de parlamentares e de um presidente comprometido inteiramente com a preservação do meio ambiente, não fazendo nenhum tipo de concessão com os detentores do Capital. O agronegócio não é POP, pelo contrário. O agronegócio é tóxico e inimigo do meio ambiente.


Pensando na eleição de um governo progressista no mês de outubro, comprometido com o estado democrático de direito e com o meio ambiente, será fundamental que esse governo enfrente os principais responsáveis pela degradação ambiental. Que enfrente as mineradoras, as madeireiras, o agronegócio e, também, enfrente os garimpeiros que destroem rapidamente o meio ambiente brasileiro e toda a sua biodiversidade. Os biomas estão sendo destruídos numa velocidade impressionante. Evidentemente que os olhos se voltam para a devastação da Floresta Amazônica, entretanto, o Pantanal, o Cerrado e a Caatinga têm índices de destruição muito próximos daqueles da Floresta Amazônica.


Nesse sentido, desejamos e vamos criar condições para que o próximo governo progressista tenha como política pública o objetivo do desmatamento zero e da recuperação de todas as áreas que foram destruídas ao longo dos últimos anos. Não temos nenhuma dúvida, cuidar e proteger o meio ambiente é, literalmente, um cuidado com todos/as. Trata-se de uma proteção a casa comum.



Texto:


Lucas Pires Ribeiro[1]

Ronilton Delcides Rodrigues Junior[2]

[1] Professor de História da Universidade Estadual de Goiás, Unidade Universitária de Itapuranga. [2] Discente do curso de História da Universidade Estadual de Goiás, Unidade Universitária de Goianésia.


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