Frases: pensamentos (in)completos

Existem algumas frases, livros, poesias, filmes, músicas, entre outros seguimentos que, nos marcam sensivelmente, influenciando os moldes como compreendemos e nos comportamos perante os determinismos sociais. Recentemente, nesse mesmo espaço do Além dos Muros, tive a oportunidade de fazer uma leitura muito provocativa sobre o filósofo alemão, Friedrich Nietzsche (1844-1900). O texto ao qual me refiro, foi produzido pelo Jean Carlos, intitulado Nietzsche e a Moral. Em suas reflexões, o autor tendo como parâmetro o filósofo alemão, nos ajuda a compreender o quanto os preceitos da moral moldam o nosso cotidiano, fazendo com que, não sejamos capazes de caminhar por conta própria, mas, sempre est

‘FARPLAY’

No último dia 16/04 (domingo) aconteceu o jogo de ida pelas semifinais do Campeonato Paulista entre São Paulo e Corinthians. Além de ser um clássico do futebol brasileiro e mundial, o jogo reservou um momento particular e de raríssima oportunidade de aprendizado. Entretanto, nem todos, eu diria que a maioria, entenderam dessa forma. Para que o leitor se inteire sobre o acontecido no jogo e que por consequência causou tanta repercussão, não apenas no seio da mídia esportiva, mas na mídia em geral, descreveremos o lance em seus pormenores no parágrafo seguinte. Numa disputa de bola entre o zagueiro do São Paulo, Rodrigo Caio, o goleiro de seu time, Renan Ribeiro e o atacante do Corinthians, Jô

O Homem de Plástico: Um diálogo entre Bauman e Thom Yorke

Nasci no fim da década de 80 mais precisamente em 1988, um ano após o meu nascimento caia em Berlin o muro que separava o mundo em dois grandes polos (não tenho nada a ver com isso), junto com a queda deste símbolo veio também a ascensão e a expansão de um pensamento hegemônico: O CONSUMO, mas não somente o consumo para satisfazer as necessidades humanas, mas sim um consumo voraz, compulsivo, frenético, que prometia a satisfação imediata, a felicidade instantânea, e para atender este novo modelo de consumo veio também uma nova forma de mercadoria: OS DESCARTÁVEIS. Assim posso dizer que nasci e fui criado naquilo que muitos teóricos chamaram de Pós-modernidade. A década de 90 foi a década da

Nietzsche e a Moral

Ao leitor desenganado, o título que precede estas palavras pode soar um tanto quanto abstrato e distante da realidade; meio longínquo e apartado da totalidade do constructo social. Em minha defesa, admito que o interesse das digressões que seguem não confere a tal objetivo tamanha importância. De todo contrário, pretendo versar sobre a Moral, no que toca aos mais variados sentidos que o conceito possa abarcar, aos moldes do pensamento nietzschiano e suas nuances, deixando margem para uma compreensão crítica e honesta a respeito da influência dos valores morais ou da Moral em si, na sociedade. Ao leitor justifico a escolha de Nietzsche. Para mim, o filósofo alemão do século XIX, autor de gran

As Escolas Brasileiras Continuam Cercadas

Procurar conceitos e representações para se pensar o processo de construção e de desenvolvimento da educação no Brasil, não é, assim como nunca foi, uma tarefa das mais fáceis. A dificuldade, se constitui pelo fato de que, o país, pensando principalmente na figura do estado, nunca conseguiu/e, ou não desejou/a compreender a importância do investimento educacional para a transformação social de um povo. Enquanto isso, procuram fazer com que, acreditemos que o caminho a ser seguido, seja o da Ordem e do Progresso, mantendo assim, as estruturas por meio do status quo. Além da dificuldade governamental, há uma dificuldade por parte da conjuntura social em compreender as estruturas da educação no

Os Devaneios do Caminhante Solitário

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), filósofo, romancista, teórico e músico suíço, é autor de, entre outros, Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens (1755) e O contrato social (1762). Aos dezesseis anos deixou sua cidade natal e viajou por diversos países. Tornou-se secretário e protegido de madame Louise de Warens, mulher rica que teve profunda influência na vida do escritor. Os devaneios do caminhante solitário é uma obra magna de erudição de Rousseau foi o seu último escrito antes de sua morte. O livro apesar de inacabado relativamente pequeno trás ideias profundas sobre a natureza humana. Toda sua tessitura mostra a essência do “ser” e como o mesmo vai se m

A ignorância não é uma benção

Há um velho ditado popular que diz: “A ignorância é uma benção”. Em um mundo de interpretações rasas, reality shows, youtubers, telenovelas, briga de torcidas, exploradores da fé alheia, chavões repetitivos em programas de humor, me parece que a ignorância é uma imposição, uma regra, o aceito como “NORMAL”, tanto que os que desentoam deste padrão e buscam conhecimento são tachados imediatamente pelo senso comum como loucos, esquisitões, estranhos. Como dizia o poeta inglês Thomas Gray “Onde a ignorância é uma benção é loucura ser sábio”. Não é de hoje que o conhecimento é sinônimo de poder, e seu oposto, a ignorância é sinônimo de submissão, desde as primeiras civilizações aqueles que possuí

Nós e a Corrupção

Ultimamente, o conceito mais presente no meu dicionário cotidiano tem sido aquele que se remete aos preceitos da corrupção. Me deparo com pessoas falando sobre corrupção no dia a dia, ligo a TV para acompanhar os telejornais a perspectiva não é diferente, procuro ler colunistas e a palavra com seus significados aparece nos textos que esses escrevem, nas redes sociais, que possui, ou melhor, é utilizada para compartilhar felicidades, não é raro, pelo contrário, mais do que corriqueiro ver postagens com sujeitos indignados, se referindo a temática que norteará a reflexão. As discussões que acompanho são no mínimo duais com relação ao conceito e a prática da corrupção no cenário nacional. Desse

Meu Mundo é o Barro

O RAPPA, Banda brasileira criada em 1996 no Rio de Janeiro. Composta por Marcelo Falcão, Marcelo Lobato, Xandão, Lauro Farias, Marcelo Yuka também faz parte da banda mesmo sendo de forma indireta depois do seu acidente ele ficou responsável pela parte de composição. A música Meu mundo é o barro é o objeto de estudo deste texto. Analisando todo o contexto que ela envolve os elementos socioculturais que permeiam em toda sua extensão. A canção trás uma letra muito forte pautando questões que envolvem o sistema como um todo, desigualdade social, racismo e preconceito com o homem periférico. A música começa com o diálogo entre dois homens, um deles é o principal personagem da letra, contando sua

Ponha-se no seu lugar meu jovem!

Ponha se no seu lugar meu jovem! Quantas vezes já ouvimos essa expressão, quase sempre com um tom de ameaça ou imposição de poder por parte do interlocutor da frase. Mas quem sabe podemos utilizar essa expressão a nosso favor e virar a mesa! A geografia é a ciência da localização, da descrição e análise do espaço em todas as suas especificidades, graças a ela podemos compreender o mundo a nossa volta e saber onde estamos e para onde queremos ir. Quando se analisa um mapa um dos primeiros passos é identificar nossa localização neste mapa, para a partir daí nos direcionar ao destino desejado. Com base nisto compreenderemos o eu e o mundo em volta, em uma perspectiva física, o local que ocupo n

Isole-se

A existência humana, afirma a brilhante cientista política e judia alemã Annah Arendt, não é um processo pelo qual você se concebe enquanto “ser”. Ao contrário, é justamente quando você se percebe “inútil” ao mundo a aos outros, que sua existência possui sentido. Ser inútil aqui, não é ser incapacitado de algo ou alguma atividade em meio ao grupo social. O sentido de “inútil”, na acepção de Arendt, é se perceber ignorante frente à existência humana. Em se tratando da existência humana, alvo das ciências e da filosofia em especial, é inteiramente notável a fragilidade das visões de mundo que se postulam acerca da inconstante percepção de que somos seres sociais, dotados de capacidades laborai

A Cadela do Fascismo Está Sempre No Cio.

Na minha trajetória profissional já convivi com diversos profissionais da educação, conservadores, progressistas, anarquistas, socialistas, socialistas libertários, etc, etc. Sempre respeitei suas posições políticas, porque afinal trabalho com a ideia de respeito aos argumentos contrários. Não é gritando, proferindo chavões, frases, termos rasos, ou pior, alimentando o ódio contra aqueles que sempre foram odiados que vão me convencer. Aliás, na psicologia há um axioma que afirma que quanto mais você grita menos as pessoas te ouvem. No entanto, infelizmente para parte da sociedade brasileira esse discurso de ódio e inimigos internos tem se proliferado, para minha tristeza é claro, porque sei

Entre Humano e Fera

Ao longo da historicidade, a humanidade sempre se deparou com alguns paradigmas que, demarcaram os espaços de circulação entre os sujeitos, produzindo perseguições, impossibilitando a vivência e convivência entre grupos com leituras distintas. Por exemplo, dentro da antiguidade, o paradigma de ser espartano ou ateniense, posteriormente o de ser judeu, ou não ser, ou mesmo as constantes guerras simbólicas, culturais, vivenciadas e praticadas pelas comunidades indígenas antes da chegada dos europeus na América, e depois, o genocídio praticado pelos europeus. Ao estudar como documento histórico o livro sagrado dos cristãos, a Bíblia, o que mais se torna possível de se encontrar são as guerras e

"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento."

Platão

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