Construção de Uma Nova Identidade Para o Tempo Presente

Na terceira década do século XIX, os primeiros historiadores institucionais, representados principalmente pela figura, de Adolfo de Varnhagen (1816-1878) se depararam com uma grande “missão” governamental, a saber, a construção de uma identidade nacional para salvaguardar as raízes históricas da corte imperial no território brasileiro. O resultado desse trabalho hercúleo realizado pelos pensadores, foi indubitavelmente importante, no entanto, propiciou a construção de estereótipos que, passaram a representar a sociedade no transcorrer do processo, desembocando até os dias atuais. No limiar da construção desses estereótipos que passaram a ser representativos, podemos destacar, o conceito de p

A Elitização do Ensino

Gostaria, de modo introdutório, destacar e elogiar a escolha do tema que norteará está mesa. A discussão sobre um ensino elitizado é mais do que assunto de especialistas, educadores, professores, gestores, governantes etc., pois deve e, sobretudo, envolver toda sociedade. Penso que para esta reflexão seria de muitíssima importância distinguir escolarização e educação, no que bem aduz Mario Sérgio Cortela. De acordo com o Filósofo, Escolarização compreende a estrutura escolar e todos os seus aparatos e mecanismos. Educação, além de envolver a escolarização, engloba toda sociedade, numa relação dialógica e histórica. Importa ressaltar que tanto a escolarização quanto a educação, são elementos

Faz Sentido?

Em pleno pós feriado, de uma tarde de sexta feira efervescente. Eu me encontro em meu refúgio como muitos por aí, muitos acomodados, já eu incomodado estou pensando ao som de uma antiga e belíssima música brasileira (Metamorfose Ambulante) composta por um dos grandes nomes do rock brasileiro. O Maluco, o maluco beleza, que pensava em uma Sociedade alternativa, Raul Seixas (1945-1989). Esse cara era o bicho! Um profeta, e suas músicas cheias de profecias (re) mexe com a cabeça de muitos. Por base neste cara, comecemos o nosso texto. Vamos começar devagar, primeiro já pararam para pensar na palavra “alternativa”? Há sim! Como pensei! Não né! E outra coisa, não confundam com a rádio! Pois bem,

A Luta dos Joãos da Silva

Naquela terra quase esquecida vivia João da Silva, seus familiares e alguns amigos. Todos tinham uma vida difícil, numa rotina exaustiva de pouco reconhecimento e cheia de pedras no caminho, que ao contrário do que pensavam os especuladores, apenas estimulava e dava a João da Silva e a seu povo uma força vista como inexistente naquele cenário pós ditadura. Era duro passar o dia queimando e derramando suor devido aquele calor itinerante, era duro perceber que o dia chegava ao fim e notar que a mão era abrigo de mais um calo, era duro ligar o noticiário a noite e escutar que mais um assentado havia sido assassinado por um fazendeiro perverso e egoísta; enfim, era duro suportar aquela resistênc

Orgulho LGBT

Nesse (último) domingo, dia 18 de junho, acontece (aconteceu) a 21ª edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, trazendo como pauta o seguinte tema: “Independentemente de nossas crenças, nenhuma religião é Lei! Todas e todos por um Estado Laico”. Apesar de trazer o nome da capital paulista, em decorrência do evento acontecer na respectiva cidade, a parada é considerada o maior evento artístico e cultural do seguimento LGBT do mundo, envolvendo pessoas de diferentes cidades e consequentemente de muitos países, para em uníssono gritarem: “Eu tenho orgulho de ser lésbica, homossexual, transexual, bissexual, eu existo como pessoa, e quero ser respeitada(o) como ser humano”. (Grifo meu). No âm

Agricultores

Todas quintas-feiras, de toda semana, de todo mês, eles chegam, recipientes cheios de abobora, mandioca, alface, tomate, mexerica. Outros trazem ovos, quitandas, queijo, polpas, doces. Outros tantos trazem gueiroba, milho verde, abacate, cheiro verde. Ajeitam as barracas, dispõe seus produtos, esperam chegar as 5:00h para o apito de autorização para comercialização. Trabalho e saber acumulado, suor do dia-a-dia. Eles viram as criações e plantações nascerem, crescerem e chegarem no ponto da venda. Para isso teve a lua, a hora certa de plantar, carpir, apartar. O ponto do doce, do bolo, da farinha, do polvilho. Também teve a capadura do porco, da porca, do animal de lida. Ali estão mercadoria

Está tudo mudando! Que bom por isso!

Em 1963 Mr. Bob Dylan compunha a canção “The Times They Are a-Changin” um hino sobre mudanças com versos como este: “Venham mães e pais de todos os lugares/ E não critiquem o que vocês não conseguem entender/ Seus filhos e filhas estão além de seu comando/ Seu velho caminho está rapidamente envelhecendo/ Por favor saiam da frente se não puderem ajudar/ Pois os tempos estão mudando”. Esta canção escrita há 50 anos e hoje mais do que nunca parece transcender os limites do tempo, as mudanças desse início de século XXI acontecem a uma velocidade impressionante e para muitos parece ser difícil acompanhar e entende-las a ponto de negá-las enfurecidamente. As novas tecnologias e a sua popularização

Não Compreendemos os Nossos Problemas

Recentemente, escrevi nesse espaço sobre os malefícios ocasionados pelo conservadorismo da sociedade brasileira. O caráter conservador se configura como um impeditivo sério e, perceptivelmente enraizado para avançarmos em questões importantes do nosso cotidiano, como por exemplo, a desmilitarização da Polícia Militar, a legalização da maconha, a regularização do aborto e outros temas candentes na atual conjuntura. Infelizmente, não conseguimos caminhar no campo do diálogo, em decorrência do preconceito que nos assola. O aspecto conservador se materializa da seguinte maneira, quando não entendemos a importância de se discutir os temas aventados acima e, fingimos para nós mesmos que compreende

Não nasci mulher, me tornei uma

Eu ainda me lembro do cheiro do cigarro que ele exalava ao chegar em casa; meu pai nunca foi um exemplo de homem de família que eu ouvia nas aulas sobre patriarcalismo na aula, ele era basicamente quem pagava as contas da casa e isso lhe fazia pensar que ele era melhor do que eu ou minha mãe. Mas “melhor” era a última coisa que meu pai era. Desde que nasci ele se revoltou contra mim e minha mãe; ela era culpada por não ter lhe dado um menino e eu, Rafaela, fui culpada por não ser Rafael. Por muitos anos da minha infância tentei uma aproximação com ele, mas a cada abraço que virava empurrão a esperança de uma relação linda como a de novela, foi sumindo aos poucos até acabar por completo. A pr

Polícia - Parte II

Infelizmente os últimos acontecimentos envolvendo a força policial militar em casos não específicos e simultâneos nos fez acreditar ser mais do que necessário refletir sobre as atitudes do segmento que, na nossa opinião, reflete a intenção do Estado em agir. Parecerá ao leitor que estamos realizando uma replicação do que já foi dito em texto anterior publicado por este autor no espaço aqui utilizado para este fim (o texto ao qual nos referimos foi publicado na data do dia 07/05/2017 com o título “Polícia”). A reflexão que propomos caminha no sentido de uma crítica atinente ao modelo de ação adotado pelo Estado na utilização das forças militares para reprimir e oprimir a liberdade de expressã

Desconstrução de Conceitos Para Se Construir Novos Conceitos

A sociedade brasileira no tempo presente, se encontra mergulhada nos mesmos problemas sociais que à aflige durante séculos e mais séculos. A desigualdade social, podendo ser compreendida como um síntese das dificuldades de transformação, se torna perceptível até para aqueles que, relutam em não perceber uma disparidade socioeconômica na situação nacional. A concentração de riquezas se intensifica gradativamente, culminando em um maior poderio estrutural de poucos, em detrimento da pauperização de muitos. O apregoado conceito de capitalismo sustentável ou, mesmo capitalismo humanitário como é apregoado por alguns, como por exemplo, a historiadora e ex-candidata à presidência da República, Mar

O Ódio a Política, o Voto de Protesto e Nosso Urso Waldo

Diante de toda a sujeira e podridão da política nacional, fica quase impossível tocar no assunto sem se indignar, sem se irritar com as relações promiscuas de trocas de favores e os privilégios dados a eles por eles mesmos enquanto, uma grande massa de pessoas vive nas mais diversas situações de precariedade. Reclamar dos políticos é quase um reflexo natural para o brasileiro, e no tribunal de rua da opinião pública a classe dos políticos é sem dúvida a mais odiada do País. Mas sempre que algo desperta em nós o ódio, é preciso parar, respirar fundo, e refletir muito para não corrermos o risco de nos afastarmos da razão. Não me entendam mal eu não estou querendo “defender bandido”, não estou

Conservadorismo: Um Fenômeno Sociocultural

As pessoas possuidoras de uma sensibilidade para acompanhar os desdobramentos sociais, indubitavelmente devem ter percebido a onda de um caldo cultural conservador crescente em nosso país no decorrer das últimas décadas. Esse caldo cultural, me valendo do termo defendido pela filósofa, Marilena Chauí, se manifesta sem receio, sem um mínimo de pudor no transcorrer dos últimos anos, muito em virtude da integralização promovida pelas redes sociais. O conservadorismo escancarado à moda brasileira, se configura como fenômeno social e cultural que, merece ser estudado com a devida atenção necessária, não partindo de um pressuposto para destruí-lo, mas, com o intuito de compreendê-lo. De forma grad

O caos no sistema penitenciário brasileiro e a injusta política de encarceramento

O debate sobre o sistema prisional brasileiro têm crescido nas últimas décadas e os estudos vêm demonstrando significativamente que o Estado se tem utilizado do sistema punitivo para encarcerar pessoas a pretexto de uma irreal manutenção da ordem social. Os índices de criminalidade crescem constantemente no Brasil, bem como na mesma proporção cresce o sentimento de insegurança que aflige os brasileiros, principalmente num cenário em que vemos o dinheiro público ser utilizado para beneficiar poucos, enquanto deveria ser gasto em políticas públicas como educação e saúde, direitos sociais estes constitucionalmente “garantidos”, pelo menos previstos no artigo 6º da Constituição de 1988, e que in

"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento."

Platão

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