A face da fome

Na década de 90 o som vindo do Mangue do “Maracatu” de Chico Science denunciava a fome presente em um país de desigualdades e vergonhosas misérias, submersas como um caranguejo dentro do lamaçal do descaso de nossos governantes, a fome assustava e matava em nosso país em proporções semelhantes a uma guerra, ao fim dos anos 90 a fome matava em média 300 crianças por dia no Brasil, além de deixar um rastro de milhares de subnutridos, o cenário de calamidade colocava o Brasil entre os países pertencentes ao mapa da fome da ONU, a fome em nosso país era paisagem, tratada como natural por nossos governantes, de tão natural parecia um projeto governamental muito bem planejado e organizado, mas Chi

Impressões de uma jovem sobre o suicídio

Recentemente, quando alguns colegas e eu estávamos dialogando sobre os modus operandi da sociedade brasileira, fui indagado por uma jovem que queria saber o meu conceito sobre o suicídio. Somente para contextualização, um dos assuntos que até então mais havia permeado entre as nossas conversas estava vinculado diretamente as formas de violência existentes em nosso meio. Desse modo, penso que a questão levantada pela jovem talvez não tenha sido compreendida pelos seus pares, (não compreendemos o suicídio como uma crítica a violência social) porque naquele momento, quando todos(as) avidamente falavam de homicídio, furto, sequestro, violência policial, e inúmeras críticas a ineficiência do esta

Crítica à Religião

Polêmico? Certamente. O escrutínio de uma significativa parcela dos leitores do presente texto tenderá para o prelúdio de um assunto ao largo da discussão crítica e analítica, portanto temática de vulgo polêmico. Entendemos por “polêmico” (ou polêmica) temas de relativa e considerável problemática no jugo social. Em certa medida, são assuntos aniquilados, cerrados e limitados por interesses ideológicos, passando à dista de uma certeira e coerente proposição apreciada da literatura crítico-analítica. Em se tratando das intenções deste opúsculo, correntemente se diz (enfaticamente) que o tema e o ambiente religioso (crença, doutrina, valores, etc.) não se dilui com a discussão e o corpus polít

Só mais um Riso

É muito provável que depois do último período ditatorial (1964-1985) vivenciado pela sociedade brasileira, o contexto atual seja o mais triste. A tristeza nos resume enquanto conjunto social, porque perdemos a capacidade de sermos felizes. Procurar compreender como esse estado de espírito se apossou de nós é um processo complexo, porque ele se desenvolveu rapidamente, se distanciando do conceito de longa duração que permeia nos fenômenos sociais. De uma histeria que marcou a sociedade brasileira no início do século XXI, resultado de crenças que o país poderia se tornar uma das economias mais viáveis do mundo, conjuntamente com a diminuição da vulnerabilidade social, a inserção das camadas me

Empatia, um poder que pode salvar o mundo

Quantas ideias e reflexões surgem de uma simples conversa informal, recentemente uma conversa com um amigo me tirou do lugar-comum, e assim quero compartilhar com vocês o resultado dessa reflexão. Em um desabafo este amigo questionou o fato de que sempre que ele debatia temas polêmicos como sexualidade e religião as pessoas a sua volta o questionavam se ele estava argumentando em causa própria. E isso me fez pensar, nos tornamos tão egoístas que se tornou inacreditável defender os interesses coletivos? Incomodado com tais questionamentos surgiram as seguintes questões: É preciso ser negro para lutar contra o racismo? É preciso ser gay para lutar contra a homofobia? É preciso ser mulher para

Camadas Populares: anseio de participação política

“Hoje em dia a coisa está feia”. É muito comum ao estabelecer um diálogo com as pessoas do dia a dia nos depararmos com essa afirmação. O sentido de coisa no universo popular se remete a uma série de questões, tais como, rejeição a um determinado objeto, ou sujeito, a tentativa em vão de se lembrar de algo, o receio de dizer o nome de alguém e sofrer consequências, no sentido da crença, quando se remete à uma alusão a seres do “outro mundo” e evitam pronunciar os seus respectivos nomes dizendo: “Aquela coisa que você sabe o que é”. Em suma, no universo de vivência e convivência da cultura popular o conceito de coisa está diretamente ligado aos meandros do cotidiano, se tornando uma palavra d

"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento."

Platão

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