Há Seres Humanos nas Ruas

Nesse último final de semana acompanhei o filme O Solista. A temática impressiona, por trazer um enredo sensível, a saber, o universo dos moradores de rua. O filme se passa na cidade de Los Angeles, apresentando uma quantidade enorme de seres humanos que têm no espaço da rua o único meio acessível de vivência e sobrevivência. Nesse cenário, se encontra Nathaniel Ayer (Jaime Foxx) personagem central do drama. O fato de seres humanos morarem na rua, não é uma exclusividade das grandes cidades, como a citada anteriormente, mas um fenômeno generalizado do espaço ocidental. Seja nas gigantescas, grandes, médias e pequenas cidades, é possível encontrar inúmeras pessoas vivendo em condições subuman

A Questão Vittar

Concordo com Nietzsche quando este expressa o quão importante a música pode ser para nossa vida ao dizer: “Sem música a vida seria um erro.” Mas acho ainda mais simbólico e mais importante a respeito da música as palavras de Bono Vox (vocalista da banda irlandesa U2) ao dizer que “A música pode mudar o mundo porque pode mudar as pessoas.” Em sua fala Bono mostra a poderosa capacidade de mudança que a música possui, pois, ela é capaz de alcançar multidões muito maiores que qualquer palestrante ou orador ou escritor, ela toca as emoções e as reflexões de uma forma imediata, a música é capaz de atingir a cada um de uma forma diferente. Sim, a música pode mudar o mundo, goste você ou não. Sempre

O Conceito de Representação: Lula e o povo brasileiro

Não há como, é inevitável não falar de Lula, e do julgamento que condenou-o à mais de doze anos de prisão. A condenação era previsível, não pelo que dizem que fez, mas pelo de fato de representar muito, enquanto sujeito. Recentemente fui interpelado por um colega, porque escrevi um texto, dizendo que Lula representa os anseios da população pobre do país. Para fazer determinada afirmação, procurei ouvir várias pessoas, identificando na prática a aceitação popular do ex-metalúrgico. Lula encarna um ideal de pessoas que viram suas vidas transformadas por meio das políticas públicas do “Lula do PT”. O leitor atento, deve ter percebido, reproduzo à mesma frase que utilizei no texto anterior. Mais

Porque Votar em Lula em 2018?

Em uma de minhas caminhadas vespertinas em um dos pontos mais frequentados para este fim na cidade onde moro, pude acompanhar um relato sensível de um dos frequentadores do ambiente de lazer. A pessoa que me fez o relato já apresenta uma idade avançada e é uma daquelas que todos conhecem por viver há décadas na cidade e possuir vasta experiência de vida. Sua importância para a comunidade local é comparada à dos griots africanos, os “contadores de histórias”, os guardiões da memória, os responsáveis por transmitir os valores culturais e tradicionais, as crenças e a história dos antepassados aos mais jovens por meio da narrativa. Coincidentemente, nos encontramos exatamente em um ponto específ

A Cegueira Capitalista

O capitalismo gira em torno do acúmulo de capital, portanto, qualquer situação que não forneça o lucro, não agrada ao capitalista. Assim, seu foco está totalmente voltado para o dinheiro, pensa-se em como adquiri-lo, investi-lo e acumulá-lo. Essa diretriz, passa a ser o centro de sua vida, a quantidade de seus bens aumentam constantemente e junto com eles, é claro, a devoção à sua riqueza também se amplia. Tendo então o capitalista tantas posses, ele se vê no centro do corpo social, sua sensação de poder se expande e por vezes a prepotência e o egoísmo se fazem presentes. Ele pensa em si e no que é seu, os funcionários, são apenas ferramentas utilizadas para adquirir o que ele deseja incessa

Lugares e Sujeitos Proibidos

Logo quando mudei para Itapuranga, numa conversa inicial com os habitantes locais, fui advertido sobre lugares que continham sujeitos perigosos. Fiquei interessado no discurso social elaborado e alimentei a prosa, me disseram:"_ olha as casinhas é um local muito perigoso. Lá tem muita droga, prostituição e violência. " Me chamou atenção o termo "casinha", um diminutivo de casa que ressoava certo teor pejorativo. Do mesmo modo, a localização restritiva das drogas, prostituição e violência chamou atenção. Logo percebi que o local era habitado por subempregados, tais como: cisterneiros, podadores de jardins, roçadores de pasto, boias frias e diaristas, etc. Naquele momento me recordei de como n

A Força Proletária

Na sociedade em que vivemos, a desigualdade social é eminente, e aumenta com frequência. As camadas populares ficam cada dia mais pobres, enquanto a classe média cada dia mais se enriquece, o oprimido é regularmente humilhado, enquanto o opressor cada vez mais se exalta. (Utilizando termos marxistas), eis o método utilizado pela burguesia: O burguês tenta alienar o proletário limitando seu tempo livre com o excesso de trabalho subordinado à ele, têm-se o intuito de diminuir as possibilidades do acesso do proletário às fontes que fortificam seu senso crítico e colocam a burguesia em estado de alerta. Devido à falta de tempo e excesso de cansaço, mais do que de interesse, a prole é induzida a

Em defesa de Lula

Os preceitos que envolvem a democracia, não fazem parte do dicionário cotidiano de parte da sociedade brasileira, porque, enquanto país, ainda não se conseguiu construir mecanismos básicos para uma democracia de fato, como por exemplo; soberania popular, respeito as minorias e suas expressões, garantia ao estado de direito para os menos assistidos, e outras tantas questões. Não ter a democracia com suas implicações como hábito, torna alguns suscetíveis, e favoráveis para quando parte da sociedade rompe com os pactos minimamente estabelecidos de algo que se aproxima dos valores democráticos. Uma das grandes formas utilizadas para retirar a visibilidade do outro, ou de determinado seguimento,

Entre Dois Mundos: Emoção e Razão

Entre os grandes princípios da filosofia grega, um se destaca, a saber, a ideia da dúvida. Sócrates, considerado por muitos o grande filósofo da Antiguidade se centrava no preceito dos questionamentos das certezas dos outros. No entanto, não é somente a sabedoria filosófica que defende a dúvida como elemento indissociável do sujeito, porque é possível encontrar na sabedoria popular os mesmos ensinamentos. Afinal, de alguma forma todos(as) já ouviram o sábio adágio popular: “Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Transitando por diferentes áreas do conhecimento, o sujeito terá condições de presenciar ensinamentos valorizando a dúvida como mecanismo essencial de vivência, conviv

Não sacia a fome quem lambe pão pintado

Poucos assuntos nos causam tanto desgosto quanto a nossa política nacional, nas rodas de conversa a insatisfação talvez seja a única unanimidade, seja você de direita ou de esquerda, apesar de todas as divergências, talvez cheguemos a um consenso de que a política que temos e as opções que temos não agrada a nenhum de nós, há sempre a sensação de que poderíamos ter mais que isso, ter debates mais consistentes, ter nomes mais idôneos e ter mais segurança e confiança nas projetos e promessas. Mas não, salvo os ingênuos que endeusam figuras completamente ridículas, não existe mais ninguém em sã consciência que se sinta plenamente satisfeito, muito pelo contrário, convivemos com a repulsa e a de

2019

O ano de 2018 finalmente começou, e a sensação que tenho, ao conversar com as pessoas, é que boa parte deseja que o ano termine logo. Parece um paradoxo, mas, essa leitura inicial pode ser ampliada, se observada for, uma gama de sujeitos que vem sofrendo as agruras dos últimos anos. Para não ficar tão superficial, quando me refiro a esses sujeitos, tenho como campo de observação a classe trabalhadora desse país, tanto do campo, quanto da cidade, assim como os pequenos proprietários rurais, os sujeitos ligados aos movimentos sociais, as comunidades indígenas e quilombolas, os trabalhadores autônomos, os aposentados, e por último, mas não menos importante, os pequenos empresários, que sofrem

Pão e Circo: versão atualizada a “moda brasileira”

Uma pergunta que nunca quer calar: O que estamos fazendo de nós mesmos? Fim de ano tempo de festas. As redes sociais nos tão uma boa impressão sobre o período natalino e Ano Novo. Mas sem dúvida é necessário fazermos uma reflexão: será que estamos mesmo vivendo felizes como diz o colunista Guilherme Lima do site: Genialmente Louco “Parece que vivemos em um comercial de margarina como uma família feliz”. (Os entendedores entenderão a frase). Todavia, é necessário fazer algumas ponderações sobre a atual conjuntura que nós estamos vivenciando. (crise política e econômica). A política “pão e circo” da Antiguidade parece que voltou! Enquanto o Brasil está se afundando nós estamos comemorando as f

A Destruição dos Mitos

Na semana passada, escrevi um texto, que pode ser encontrado nesse espaço do Além dos Muros, que procurava pensar o mito como um elemento indissociável do cotidiano social. Procurei escrever esse texto, porque muitos entendem que os mitos pertencem a uma esfera sobrenatural, distante das nossas realidades. Talvez, nos dias atuais, se torna mais fácil para as pessoas compreenderem o mito como um fenômeno nosso, do cotidiano, que dorme e acorda conosco. Essa possibilidade de leitura é possível, em virtude do termo Mito ter se vulgarizado dentro do contexto atual. Alguns exemplos, recentemente estava acompanhando uma partida de futebol, e o narrador disse que determinado jogador era mito, que o

Academicismo

Não há dúvidas quanto ao papel relevante que a universidade desempenha no conjunto da sociedade. Em todos os níveis do cotidiano o espaço universitário promove a necessária articulação entre o conhecimento científico e as necessidades que a sociedade impõe a si mesma historicamente. Importantes e imprescindíveis avanços sociais, políticos, econômicos e culturais resultaram de uma intensa participação da universidade como campo da difusão do saber e das ideias, bem como ambiente saudável para a pluralidade de opiniões, pensamentos e teorias. É por concordar com a ideia de que a universidade é importante para todos nós que acreditamos que ela não pode sofrer reveses e limitações intencionalmen

"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento."

Platão

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