Nós Somos Reflexo do Meio Social

O meio social interfere de diversas formas nas ações dos indivíduos, fato esse muito bem apresentado na obra “O Suicídio”, escrita por Durkheim, na qual, além de analisar o ato do suicídio em si, também considera a interferência do meio social nas ações particulares de seus integrantes, como evidência, defende ser a época de mais conflitos nas sociedades aquelas que as taxas de suicídio aumentaram significativamente. Nosso cenário social está longe de ser justo, havendo indícios de tal afirmação nos vergonhosos índices de alta pobreza e baixa escolarização, os quais podemos analisar claramente nas camadas marginalizadas da sociedade, que vão de mal à pior, enquanto os prestigiados usufruem d

A experiência de uma liderança

Discutir o conceito de liderança não é dar caminhos econômicos para o sucesso. Pretendo pensar o conceito de liderança popular, o intelectual orgânico que tanto nos convidou a pensar Antonio Gramsci, demonstrando que são nestes espaços populares, de luta e sociais que se forma um líder. Líder aqui não se faz com um processo eleitoral ad eternum, ao contrário, é construído coletivamente, nas reuniões, nos embates, nas contradições e na certeza de que a experiência de uma liderança seja fruto de um processo histórico construído coletivamente. Esta simples introdução para falar de uma liderança religiosa, com o saber de um pastor que cuida de suas ovelhas, não somente aquelas do seu redil, mas

Pós-verdade: A falsa impressão de saber

Com a consolidação das redes sociais no cotidiano das pessoas, com destaque para o Facebook e Whatsapp, há uma falsa impressão de que os contemporâneos são mais sábios do que os ancestrais. A ideia ganha força com a intensidade de contato com as informações, que circulam além dos periódicos especializados, “invadindo”, literalmente, as redes. Mesmo os sujeitos que não possuem o hábito de ler periódicos, constantemente se veem envoltos com informações de todas as vertentes. A sensação de se deparar com inúmeras notícias, leva indivíduos, inocentemente, a acreditarem que estão preparados(a) para um diálogo acerca de qualquer assunto. Esse fator, explica o surgimento e a consolidação da “fake n

Medo: O combustível da perversidade

Apesar do medo, escrevo este texto invocando coragem para superá-lo, pois, toda palavra, todo pensamento expelido gera uma mudança, seja uma pequena mudança de pensamento do outro ou uma grande mudança social e coletiva. Mas a mudança afeta também aos que lucram com a estagnação, e a ameaça de perder seus privilégios faz com que estes respondam com força bruta, em todas as formas de violência. Assim o medo é a gênese do silêncio e da inercia de uns, e também é a matéria prima para violência e o lucro de privilegiados de outros. O medo está enraizado em todas as esferas de nossa vida coletiva, e em todas elas, há alguém tentando levar vantagem. E por falar de aproveitadores, vamos direto aos

Reciclagem! Seria esta a solução?

No contexto contemporâneo estamos (sobre)vivendo mergulhados em várias crises, como na política, na econômica, na cultural, ... e entre tantas crises quero refletir sobre a crise ambiental, porque a natureza está sendo afetada diretamente e indiretamente pelas outras crises. A economia, por exemplo, se solidifica no consumismo, sem se preocupar com a extração de recursos naturais, que são finitos, e nos resíduos do processo de produção e/ou gerados pelo descarte rápido dos objetos. Mas quando a crise ambiental começou? No século XX? Com a Revolução Industrial? Acredito que tenhamos que voltar nos albores da humanidade para entender o início da crise ambiental. Antes do aparecimento da agricu

História Gasosa

Em primeiro lugar, este bem que poderia ser um texto sobre o gás, em especial sobre como, raio que o partas, ele chegou a este preço, no entanto iremos ir por outro caminho, iremos tratar da História como fenômeno científico, em especial sobre o historiador. Mais do que olhar a história, o historiador a constrói, este é um fator básico da escrita histórica, antes, redigida não para relatar, analisar e deduzir a verdade, mas, para ser ela a própria o fato. Neste sentido, a verdade era acessível, tocável, no entanto, antes de avançarmos na discussão é preciso primeiro nos perguntar: o que é a verdade? Se observamos a palavra, teremos que ver- significou em todas as línguas anteriores: verdadei

Quebrando o Sistema

As formas de opressão no meio social são diversas, a classe trabalhadora tem que lutar para conquistar seu espaço, fugir da opressão e manter-se em uma posição econômica suportável. Para isso, o caminho mais propício a se percorrer, creio que seja o da instrução e dedicação aos estudos. Através deles, o leque de oportunidades se expande e o indivíduo tem melhores opções no meio ‘trabalhista’, tendo a possibilidade de garantir para si uma vida digna, além de adquirir pensamento crítico e tomar maior conhecimento com relação aos conflitos sociais, o que vem a ser, demasiadamente, importante. Nota-se deficiências na gestão governamental, como a insatisfação de necessidades significativas dos in

A Era dos Monólogos

A globalização moderna, como conhecemos, produz diversos paradoxos, entre eles, talvez, o que podemos presenciar mais de perto seja o da comunicação. A contradição se instala, porque na medida que os meios de comunicação se modernizam, nossa comunicação pessoal segue na direção inversamente proporcional. Aos poucos estamos perdendo a capacidade de comunicação pessoal. Nas palavras do sociólogo Bauman: “Não me admira que a proximidade virtual tenha ganhado a preferência e seja praticada com maior zelo e espontaneidade do que qualquer outra forma de contiguidade. A solidão por trás da porta fechada de um quarto com um telefone celular à mão pode parecer uma condição menos arriscada e mais segu

Há Seres Humanos nas Ruas

Nesse último final de semana acompanhei o filme O Solista. A temática impressiona, por trazer um enredo sensível, a saber, o universo dos moradores de rua. O filme se passa na cidade de Los Angeles, apresentando uma quantidade enorme de seres humanos que têm no espaço da rua o único meio acessível de vivência e sobrevivência. Nesse cenário, se encontra Nathaniel Ayer (Jaime Foxx) personagem central do drama. O fato de seres humanos morarem na rua, não é uma exclusividade das grandes cidades, como a citada anteriormente, mas um fenômeno generalizado do espaço ocidental. Seja nas gigantescas, grandes, médias e pequenas cidades, é possível encontrar inúmeras pessoas vivendo em condições subuman

Da Cobiça a Alienação: a coisificação do homem pelo dinheiro

Usualmente, se tem a ideia, de que, quanto mais se economiza dinheiro, mais o indivíduo se beneficia com isso. Porém, este é um conceito paradoxal, porque deste modo, quanto menos se compra livros, assiste à palestras, vai ao teatro, viaja, enfim, quanto menos se investe em momentos de lazer (que são geralmente considerados gastos desnecessários), obviamente menos dinheiro se gasta, mas, como consequência, menos se descansa e mais sobrecarregada fica a mente do indivíduo devido à extensa jornada de trabalho, e em alguns casos, às horas extras que cumpre, que o impedem de usufruir de um tempo livre de qualidade. Tal situação, interfere no cumprir de seus deveres, em sua vida pessoal e em sua

"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento."

Platão

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