Empatia, um poder que pode salvar o mundo

Quantas ideias e reflexões surgem de uma simples conversa informal, recentemente uma conversa com um amigo me tirou do lugar-comum, e assim quero compartilhar com vocês o resultado dessa reflexão. Em um desabafo este amigo questionou o fato de que sempre que ele debatia temas polêmicos como sexualidade e religião as pessoas a sua volta o questionavam se ele estava argumentando em causa própria. E isso me fez pensar, nos tornamos tão egoístas que se tornou inacreditável defender os interesses coletivos?



Incomodado com tais questionamentos surgiram as seguintes questões: É preciso ser negro para lutar contra o racismo? É preciso ser gay para lutar contra a homofobia? É preciso ser mulher para lutar contra o machismo? É preciso ser trabalhador para lutar por direitos trabalhistas? É preciso ser de uma religião diferente da predominante para lutar por uma liberdade religiosa e por uma laicidade do estado? Ao que parece aos olhos do senso comum quem defende tais temáticas está sempre agindo em causa própria. No mesmo dia em que tivemos tal conversa pude verificar esse preconceito na prática, no local em que estávamos discutindo sobre respeito a diversidade religiosa com um foco nas religiões de matriz africana, ao termino da fala uma das primeiras perguntas dos ouvintes foi: Qual era a religião minha e de minha colega debatedora na mesa? Ora nenhum de nós éramos praticantes daquela religião, mas como estávamos ali pregando o respeito a ela fomos taxados como tal.

O egoísmo presente no povo brasileiro assusta tanto por que causas como as citadas acima são obviamente questões de justiça social fundamentais, necessárias para uma convivência mais saudável e harmoniza em uma sociedade e por consequência deveriam ser defendidas por todos nós, porém, infelizmente ao que parece é tratada pela maioria da população brasileira apenas como “questões das minorias” e para os que pensam assim o que vale é a seguinte expressão: “Se não faço parte dessa minoria não é problema meu”. Essa indiferença para com as necessidades dos outros faz com que seja recorrente o descaso e a violência contra estes grupos.

Se queremos ter uma sociedade diferente da que temos hoje precisamos aprender a abandonar nosso egoísmo e a estimular nossa empatia. Buscando construir o pensamento coletivo de que a liberdade e os direitos que quero para mim, devem ser defendidos para todos. Para isso precisamos aprender a nos colocar no lugar dos outros, a entender suas dores e seus anseios e juntamente com eles lutar para que consigam ser ouvidos e respeitados.

A imagem presente nesse texto é de uma personagem do Universo cinematográfico da Marvel que possui um interessante poder, ela é uma “Empata”, ou seja, o poder dela é sentir as emoções de qualquer pessoa ao tocá-la, em um universo de heróis imaginários com poderes incríveis este talvez seja o poder mais bonito e também o que está mais ao nosso alcance, simples humanos do mundo real, e que de posse desse “poder” poderíamos realmente mudar o mundo em que vivemos.

Sentir a dor de quem sofre, chorar com a tristeza do outro, se incomodar com as dificuldades dos menos favorecidos, sorrir com as alegrias e conquistas dos outros, sentir as angústias e os anseios de todos como se fossem nossos, ou seja, nos importarmos, e acima de tudo lutarmos contra as injustiças sociais tanto no campo dos discursos quanto, na prática cotidiana.

E a resposta para as perguntas do início desse texto é: Que independente de pertencer ou não a um grupo, se a causa é justa, não só podemos como devemos nos envolver e lutar pela causa, somar forças contra o preconceito e as explorações que estes grupos enfrentam diariamente. Também é importante ter em mente que nestas lutas não somos os protagonistas, os que sofrem na pele sim, estes são os protagonistas, a eles a voz e nós precisamos ouvi-los, e que cabe a nós através da empatia lutarmos ao lado.

Diante de todo egoísmo e competitividade que é estimulado pela nossa sociedade, uma competitividade voraz e selvagem que enxerga tudo e a todos como concorrentes e inimigos, em que os interesses particulares se sobrepõem aos interesses coletivos. Egoísmo e competitividade que certamente nos levará a destruição uns dos outros, eu proponho caminharmos na contra mão, a abrirmos os olhos para que possamos enxergar o outro, sentir como sente o outro, e ver que todos somos seres humanos, todos sentimos frio, fome, medo, desejo, e que ao invés de nos destruirmos deveríamos nos unir, nos defender, nos fortalecer.


Boa semana meus amigos!

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"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento."

Platão

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