Brasil doente: um reflexo do governo Bolsonaro



Um sentimento de tristeza, medo e de indignação se apossa de mim. Olho para o Brasil governado por Bolsonaro e Paulo Guedes e fico incrédulo, tentando compreender quais foram os fatores que nos trouxeram até esse fosso cada vez mais fundo. Enxergo a farsa da Operação Lava Jato, a maldade e perversidade de Sérgio Moro, a sanha gananciosa de Deltan Dallagnol, a cumplicidade dos meios de comunicação que, em detrimento do jornalismo, fizeram relações públicas. Enxergo o ódio da classe dominante contra o povo pobre desse país, representado no golpista do Michel Temer. Enfim, são vários os fatores que nos trouxeram até aqui.


O Brasil sob o governo Bolsonaro/Paulo Guedes está doente. Não estamos mais doentes de Brasil, o Brasil adoeceu literalmente. Além de mobilizar o ódio, Bolsonaro nos adoeceu de uma forma tamanha que a única esperança restante é a de que outubro chegue logo e esse pesadelo acabe. Quando digo pesadelo, não é somente retórica. Bolsonaro e Paulo Guedes conseguiram concluir o que Temer e Henrique Meirelles começaram. O Brasil morre de fome. Mais de 33 milhões de pessoas. O Brasil morre de insegurança alimentar. Mais de 115 milhões de pessoas. O Brasil morre asfixiado em uma câmara de gás improvisada. O Brasil morre com operação eleitoreira, racista e classista que invade favelas matando mulheres, crianças, idosos e pessoas jovens. Todas, sem exceção, pessoas pretas.


Ah, Brasil, o que Sérgio Moro, Temer, Bolsonaro e Paulo Guedes fizeram de você? As poucas, porém importantes conquistas dos últimos tempos foram destroçadas em seis anos de governos neoliberais. Um cenário de desemprego, fome e insegurança alimentar toma conta da paisagem social. Esse Brasil doente, entristecedor nos causa medo e paralisia. Tornou-se um país que não consegue se levantar contra um projeto de poder caracterizado pela destruição em todos os níveis. Destruição ambiental, educacional, cultural e do tecido social.


O Brasil sob o governo Bolsonaro, de característica neofascista, persegue, tortura e assassina quem defende os direitos das populações historicamente oprimidas. Os assassinatos de Genivaldo, Bruno e Dom Phillips, os milhões de famintos, de desempregados, a zombaria de um presidente imitando pessoas com falta de ar diante de uma pandemia que, somente em dados oficiais, vitimou quase 700 mil vidas deveria ser o estopim para um levante popular sem precedentes na história desse país.


Não poderíamos esperar o mês de outubro para dizermos que não aguentamos mais. Deveríamos parar tudo e derrubar esse governo da fome, da morte e da perversidade. No entanto, o Brasil sob o governo Bolsonaro está doente. Estamos anestesiados, incrédulos, doentes e com medo. O medo é um sentimento estranho. Temos medo de enfrentar um governo que não esconde suas relações com a milícia, com o crime organizado, com os torturadores e com o que há de pior na sociedade brasileira.


Sei lá, talvez esse medo, misturado com um ódio contra tudo e contra todos, dotada de um sentimento de perversidade consiga explicar os 30% de intenções de voto. Sou sabedor de que existem explicações melhor fundamentadas para um entendimento da base fiel do governo da fome e da morte. Mas, esse debate teórico é assunto para outro momento. Seria bom aproveitar esse espaço para trazer uma mensagem de esperança. Mas, a nossa única esperança, diante do medo e da doença que toma conta de nós, está no mês de outubro. Até lá, teremos que conviver com a barbárie que governa esse país.

Esse medo apresentado não é sinônimo de fraqueza, mas de humanidade. O governo Bolsonaro e o bolsonarismo tentam nos desumanizar. Enquanto tivermos medo, podemos continuar tendo a sensação de que somos seres humanos. Depois disso, não temos mais nada.

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