Por que?



Por que, o que almejo sempre caminha ao contrário?

Quando a esperança de tocar o sonho se esvai

Misturando- se a fumaça densa da frustação

A angustia me permeia e sufoca

O sonho, os lugares as realizações

Por onde passei até hoje

Apenas em minhas imaginações

Por um instante pensei ser verdade

E a verdade que enxergo parece-me insuficiente

Que angustia é esta que tortura e nos obriga

A sempre, sempre querer mais do que precisamos

Que nos joga nesta loucura mercantilista

Onde tudo e todos se medem nas aparências

Obrigando todos, e a mim

A inveja absoluta, de uma realidade tão fútil

Que ao mesmo tempo impõem o sofrimento, a dor, a fome, a morte

Sofrimento de obrigar a estar sempre obcecado

Dor por tentar e tentar, e sempre esbarrar em algo

Fome e morte por ignorarmos os outros que estão ao lado

Mas não vemos, pois não queremos ver

O que busco e almejo, mas não alcanço?

E por que?


O que eu, e os outros cogitavam

A respeito de mim, sobre as esperanças de algo melhor

O que fiz de errado, para estar perdendo as lutas

Os olhares inspiradores se tornarem desconfiados

O sistema obriga e converte, as necessidades e as vontades

As lutas desnecessárias que nos impõem

Nas superficialidades cada vez mais insignificantes

Quanto mais se tornam assim

Mais me pergunto a quem agradar

E por que?


Sempre perdendo o tempo

Em obviedades fúteis

E pouco a pouco consumindo o que nos resta de lucidez

Por tudo que nos é imposto

Moendo nossa dignidade para se tornar alguém

Perdendo para os pecados capitais

Perdendo nosso tempo

O meu tempo! Tempo de vida!

Na harmoniosa simetria, de quanto se vale

Nesta massacrante realidade de quem não é nada

Nada além de si mesmo

E por que?


Assim continuo, a caminho de algum lugar

Onde meus pensamentos tentam me guiar

Insistir em um futuro melhor

Agradar alguém, ou a mim

Gastando o que me resta de tempo

E continuar pagando dia após dia

Com meu tempo de vida e com minha humanidade

Todos se perdem na ganância que nos cerca e as vezes nos domina

E mesmo assim caminho ao contrário

Embrenhando-me ainda mais na fumaça densa

Descontente ou triste

E por que?

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