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SUOR E SANGUE

Imagem: Operários - Tarsila do Amaral

Neste mundo caótico e injusto

Suor e sangue nos marcam

Como feridas quentes e expostas

Diariamente um novo corte  

Até onde se pode suportar

Acorrentados pela alma

Escravizados na ganância e injustiça  

Trabalho que machuca

Rouba seu tempo de vida

Sonhos que não existem

Pela falta do tempo pra sonhar

O trabalho está lá, nuca termina, não foge

A espera em roubar o meu, o nosso tempo

Pelos belos campos verdes floridos

Irrigados pelo suor sofrido de tantos

Aguardando para serem colhidos

Seus rostos se tornam um só

Marcados em brasa ardente

Unidos pelas correntes das injustiças

Nas ruas, nas praças, nas casas

Uma massa desiludida por um futuro melhor

Por mais que insista ainda fere

Nas cicatrizes do corpo

Trabalho que fica grudado na pele

A uma tristeza profunda na alma  

Lutamos tanto, pra não merecer nada?

Não conseguimos nada

Tanto trabalho, tantas horas

E as vezes não conseguimos comer

O sal do corpo e o amargo do sangue

Marcas do legado de nosso tempo

Muitas vezes penso em não resistir

Não há o que esperar da vida

Desejos que todos os dias são tomados

Não existe momento ou lugar

Mas qual o valor e o poder do trabalho?

Do trabalho que machuca?

Do trabalho que fica grudado na pele?

Alguém entende ou consegue ver?

Além de nós mesmo?

E o que podemos alcançar,

Neste trabalho que você não vê?

Nossas opções vão se esgotando

Cada vez mais querem 

Nosso suor e sangue

Enquanto isto nosso tempo aqui

Aqui nesta terra, vai se esgotando

Tanto trabalho, tanto sofrimento, tanta humilhação

Tanto prazer na vida

Sem poder sentir nenhum

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