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Ponha-se no seu lugar meu jovem!

Ponha se no seu lugar meu jovem! Quantas vezes já ouvimos essa expressão, quase sempre com um tom de ameaça ou imposição de poder por parte do interlocutor da frase. Mas quem sabe podemos utilizar essa expressão a nosso favor e virar a mesa! A geografia é a ciência da localização, da descrição e análise do espaço em todas as suas especificidades, graças a ela podemos compreender o mundo a nossa volta e saber onde estamos e para onde queremos ir.

 

 

Quando se analisa um mapa um dos primeiros passos é identificar nossa localização neste mapa, para a partir daí nos direcionar ao destino desejado. Com base nisto compreenderemos o eu e o mundo em volta, em uma perspectiva física, o local que ocupo no espaço e o próprio espaço a minha volta. Partindo dessa lógica, saber o meu lugar é fácil, basta pegar o mapa me localizar e saberei responder a frase acima anunciada, certo?  Errado, a resposta é bem mais complexa que isso. É preciso perceber um mundo além das aparências ou da simples descrição da posição de objetos, e para isso a geografia precisa dialogar com a história, a sociologia a filosofia, a antropologia, a teologia e demais ciências. O mundo não é apenas um amontoado de corpos ocupando espaços físicos, e sim uma sobreposição de complexidades, de relações de poder, de diferentes linguagens, de ideologias estruturantes, de diferentes instituições que constroem macroestruturas sociais, de uma estética produtora de aparências enganosas e de fatores invisíveis que escapam aos olhos dos menos atentos. Saber se localizar diante de tudo isso é um trabalho árduo.

 

Se perder diante deste turbilhão de forças e informações é algo realmente muito fácil, as estruturas sociais de nosso tempo mascaram as verdadeiras mazelas do mundo produzindo uma falsa percepção da realidade. Graças a uma enorme quantidade de informações desnecessárias e fragmentadas que dificultam a percepção do todo e do papel do indivíduo neste espaço, muitas vezes distorcendo os conceitos, levando-os a se posicionarem no extremo inverso de onde deveriam estar. Diante deste desserviço é comum nos depararmos com mulheres com posicionamentos machistas, negros com posicionamentos racistas, religiosos com posicionamentos violentos e trabalhadores com posicionamentos reacionários.

 

Para Milton Santos, “vivemos num mundo confuso e confusamente percebido”, e para discorrer sobre essa difícil percepção de mundo utilizarei alguns conceitos como materialismo histórico e a alienação apresentados por Karl Marx (filósofo alemão do século XIX). Para Marx a nossa percepção de mundo é resultado do processo de produção de bens de nosso tempo, sendo assim diante de um mundo hegemonicamente capitalista, dividido em classes, a percepção de mundo está diretamente ligada a uma visão de mundo capitalista produzida pela classe dominante, ou seja, os burgueses donos dos meios de produção. Nesse aspecto Marx explica com o que ele chama de MATERIALISMO HISTÓRICO que as práticas de nossa sociedade e a forma de pensar se dão conforme o modo de produção vigente.

 

A ignorância a respeito da totalidade da estrutura de exploração do trabalho no mundo capitalista é a base fundamental para a perpetuação do sistema, o trabalhador é explorado com intensas jornadas de trabalho e pouco salário, método que Marx daria o nome de MAIS-VALIA, não se reconhece naquilo que produz, pois a produção é fragmentada retirando do trabalhador a capacidade de compreender todas as etapas da produção de determinado produto, e também a capacidade de produzir fora da fábrica, não dispondo dos meios de produção (Matéria bruta, matéria prima, ferramentas) o trabalhador é obrigado a comercializar a única coisa que lhe resta, a força de trabalho.  Assim passa a não reconhecer sua importância dentro do processo produtivo de nossa sociedade, a essa falta de percepção Marx deu o nome de ALIENAÇÃO.

 

Bom, mas o que tudo isso tem a ver com a frase enunciada? Veja bem, se o mundo é como as bases materiais se apresentam, e elas se apresentam de forma hegemonicamente capitalistas e dividas em classes, e dentro destas classes eu pertenço a uma classe burguesa (dona dos meios de produção) ou a uma classe operária (Trabalhador), eu preciso identificar a qual eu pertenço, para realmente saber qual é o meu lugar. Entendendo a qual eu pertenço, preciso também entender que estas classes possuem essencialmente interesses divergentes e conflitantes, configurando o que Marx chamaria de LUTA DE CLASSES, onde se estabelece um conflito de forças que direcionam os rumos de toda uma macroestrutura social (mídia, educação, Estado, religião), que refletirão os interesses da classe mais forte. E se eu não tiver a consciência de qual classe pertenço serei subjugado pelos interesses da classe mais forte sem oferecer resistência.

 

A falta de uma CONSCIÊNCIA DE CLASSE faz com que o trabalhador não se veja como tal, e reproduza o discurso do burguês como sendo seu próprio discurso, com isso é fácil ver casos onde trabalhadores de um empresa trabalham em jornadas extensas, levarem trabalho para casa e recebem pouco salário proferirem os seguintes dizeres: “Faço isso por minha empresa”, ou em momentos onde a empresa precisa lucrar mais dizer: “Nossa empresa está passando por uma crise, por isso precisamos trabalhar mais”, o discurso do patrão é facilmente incorporado pelo funcionário, que não percebe sua condição de explorado, o mesmo acontece em relação a outros discursos proferidos por outras classes privilegiadas de nossa sociedade, homens machistas, brancos racistas e membros da alta classe mesquinhos, que são facilmente incorporados, por mulheres, negros e periféricos que reproduzem nas redes sociais e no cotidiano os mesmos dizeres e pensamentos daqueles que historicamente os oprimiram.

 

Estar alheio a tudo isso é como estar em uma guerra invisível onde você é atingido por balas a todo o momento e acha que está revidando atirando nos soldados de sua própria equipe. Saber qual é o seu lugar é muito mais que apenas um exercício de localização, é saber se posicionar enquanto existência em um mundo essencialmente conflituoso, para poder se defender e defender também todos aqueles que assim como você sofrem injustiças. Descubra seu lugar meu jovem, saiba como agir diante deste mundo desumano e construa um mundo ao seu modo, somos muitos, somos fortes, só estamos um pouco perdidos.

 

Boa semana a todos!

 

 

 

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"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento."

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