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O primeiro governo do PT em Itapuranga


Penso que, para discutir e refletir o governo do Partido dos Trabalhadores em Itapuranga, seja preciso olhar para o nosso passado, muito distante, cerca de 2400 a. C. Isso mesmo, seja preciso fazer uma busca nos ensinamentos dos filósofos gregos, principalmente Platão, que escreverá o livro “Da República”, demonstrando como deveria ser um governo na democracia.


Indubitavelmente muitos discordarão do que estou chamando atenção. São para estes que escrevo, para pensarmos um pouco do governo Paulinho Imila, tendo como vice o médico Paulo Horta. Talvez nem o mais otimista do petismo local acreditava na vitória naquelas eleições de 2019. Fato histórico e relevante que demonstra que o voto dado em um líder fora qualificado pelo povo, como sendo um governo que buscaria sair do senso comum, até então existente na política local, desde 1953, quando teve início a alternância de gestores públicos.


Também penso que, o atual governo precisa de algumas correções de rumo, algo que qualquer gestão e em qualquer nível sempre terá que ser feita, independentemente de qual sigla partidária, principalmente, quando o jogo democrático está em curso e precisa a cada instante ser mais exercitado, quando estamos ainda sob os auspícios e tentativas de golpes sendo chocados a cada instante.


Ao ouvir, sentir e até presenciar algumas reclamações do vice Paulo Horta para uma Saúde humanizada e que seja resolutiva, estou de acordo e vejo mudanças acontecendo. Talvez, não na velocidade e na vontade de uma das figuras mais importantes do Partido dos Trabalhadores em nossa Região. Digo uma, pois, o partido é feito por várias lideranças e muitas delas são contraditórias.


Assim sendo, entendendo que Paulinho Imila é e continua sendo a primeira figura de expressão do Partido dos Trabalhadores, algo que necessita ser entendido e que isso não tira a importância do seu vice, com toda a sua história e competência de militante e defensor do Sistema Único de Saúde.


É preciso que entendamos que existe um esforço e toda uma realidade social, econômica, política e jurídica que devem ser compreendida para se pensar o momento importante e para a manutenção de um governo esperado por muitos(as) companheiros(as) que estão vivos e outros(as) que devem ser e são lembrados ( in memória Adão Queiroz, Totó, José Caixeta e Idimar, para citar alguns), bem como, lideranças que ajudaram na concretização desse sonho em 2019 (Lobó, Perpétua, Divino Magalhães, Peixoto, Antônio Tavares, Luiz Garcia e muitos outros que não estão guardados em minha memória.


Como cidadão, professor e morador de Itapuranga, completados 54 anos de vida e militância, nunca havia presenciado um governo que busca, a todo momento, realizar as políticas públicas sonhadas por esses mais de 40 anos de aprendizados e habitus que se formaram em nossa comunidade.


Saliento mais uma vez, Paulo Horta tem todo o meu respeito e reconhecimento para com o que fez e que continua a fazer em prol do povo, lutando por uma justiça social. De outro, Paulinho Imila também fez e continua fazendo tudo isso. Foram dois mandatos de vereador pelo Partido dos Trabalhadores, agora, como o chefe do Executivo Municipal, dando o seu melhor, fazendo acontecer políticas públicas que jamais vimos em nosso Município. Cito algumas: Cartão Xixá, Praças que foram humanizadas e revitalizadas, não somente a Central, mas em todos os cantos do município; lembremos do cuidado com os pacientes que procuram o Hospital Municipal, daqueles que são encaminhados para outros centros, recebendo uma alimentação na madrugada; também será entregue o Laboratório de Análises Clínicas; aos professores da rede municipal, está a se cumprir o piso nacional de salários, climatizando e cuidando das unidades escolares, sem contar que os alunos dessa rede de ensino recebem mochila, uniforme, material escolar; o programa Porteira Adentro, para auxiliar e ajudar na diminuição dos custos de produção para nossos(as) agricultores(as) familiares; asfaltamento do Jardim Imperial; pista de skate e apoio para várias entidades filantrópicas de nosso Município.


Talvez fique enfadonho dizer as diversas e acertadas medidas para fazer com que o dinheiro público seja revertido em ações, projetos e políticas públicas para nosso povo, campo e cidade. Não há espaço para descrever tais questões aqui. Mas é preciso entender que não se pode ter como oposição pública, produzida pelos nossos companheiros.


Ao ouvir alguns dos áudios em que Paulo Horta faz críticas à gestão atual, em especial ao Prefeito Paulinho Imila, saliento que, podem e devem ser feitas, mas entendo que não nos espaços de pessoas e grupos que sempre foram nossos opositores e que nunca, jamais serão aqueles que vão apoiar e construir políticas públicas que venham ao encontro do povo como centro do debate. Aliás, procurar entidades e instituições para solicitar apoio em lideranças da direita e extrema-direita é contribuir com um governo sonhado para dizer que procurava ajuda? Há que se entender, não foi uma boa ação.


Defender recursos públicos para “hospital da Associação Popular de Saúde”, coloco entre aspas, pois não acredito que tal entidade, na atualidade, represente o sonho e a utopia dos seus bravos fundadores e idealizadores. Ao contrário, ao que parece à vontade agora é fazer da entidade popular, uma entidade privada e que possa se apropriar dos recursos públicos de nosso município para fazer da saúde um grande e bom negócio. Eis as bases do neoliberalismo se concretizando em nossa Itapuranga.


Posto isso, devemos e temos que fazer cessar tais divergências que foram entregues aos opositores, em qualquer tempo, de qualquer governo do Partido dos Trabalhadores em Itapuranga. Será que dar voz na Tribuna da Câmara, programas radiofônicos e outras entidades é o espaço para quem defende e se preocupa com um Sistema Único de Saúde amplo e que atenda a todos(as)? Estar próximo de grupos que apropriaram da entidade popular é pensar em uma saúde pública para todos(as)? E de outro, companheiros(as) que estão endossando tais críticas, será que estão defendendo políticas públicas para todos(as) ou querem tão-somente se aproveitar dessas para se promoverem enquanto tais?


Enfim, o governo do Partido dos Trabalhadores em Itapuranga precisa, sim, ser construído com mais diálogos, com debates e contradições. Mas não podemos aceitar que tais contradições internas sejam, mais uma vez, a marca para desarticular a importante chama de se consolidar um governo popular e demonstrar ao nosso povo que existe outro caminho possível de fazer o bem com a política.


Que sejamos capazes de construir juntos, tais pontes e caminhos, algo que apreendi com os camponeses e suas lutas. Aliás, um universo de contradições e muitas disputas, mas que, no fundo, ao falar, pensar e discutir externamente, esses, defendem até, se possível e necessário, com a vida. Justiça às nossas maiores autoridades do Partido dos Trabalhadores, Geraldo Paulo Fernandes – Paulinho Imila e Dr. Paulo Antunes Horta. Agora, precisamos construir outros diálogos e construir algumas pontes. O governo do PT não pode ser entregue para os nossos opositores, senão será a pá de cal que esses tantos esperam, por décadas, jogar sobre esse belo legado de uma luta coletiva. Será que vão conseguir?

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2 Comments


Professor, retorno para reler este texto e, no meu íntimo, toma-lo como produto de reflexão, pontuando em mim de forma clara, na condição de cidadão Itapuranguense, as suas palavras. Relembro-me quando no início mencionas "Da República", livro de Platão, e de imediato me recordei da seguinte citação "O Estado não surgirá por natureza, nem é obra do acaso; deve haver, antes, uma união de homens dispostos a compartilhar benefícios e danos, e a fazê-lo com justiça." (Livro II)". Denoto, dentro desta citação dos diálogos platônicos, um importante caminho para a política do Xixá: a união. Até ouso me tomar e reformular uma citação de Marx, na sua introdução ao Manifesto, um pequeno trecho "Um espectro ronda o Xixá: o espectro…

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Lindomar Costa
Lindomar Costa
May 31, 2023

Professor Valtuir, sempre pensando nossos problemas locais. Parabéns por mais essa reflexão. Que seus questionamentos não fiquem sem resposta. Lindomar Costa

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