O Romeiro



Não cometi nenhum erro ortográfico ao iniciar essas mal traçadas linhas com esse substantivo no singular. Estou falando do Romeiro. Romaria que traz consigo os romeiros, mas que precisa ser pensada e interpretada com olhares atentos, pois ao vivenciar uma travessia de três dias e meio de caminhada ao Guarinos, saindo da Guaraíta e de Itapuranga, passando por locais que representam o sagrado, com o objetivo de chegarmos para homenagear a mãe de Deus, Nossa Senhora da Penha e, acima de tudo, agradecermos e assumirmos o compromisso na condição de cristãos.


Muitos indagam sobre os fatores que motivam estarmos nessa jornada extenuante, difícil, com descidas e subidas? Talvez, após essa jornada de 2022, possa tentar responder. Nessa travessia da romaria, encontramos o rosto, gesto e experiência do Deus da Vida que nos acolhe sempre. Nesse ano de 2022, depois de 2 anos, retomamos o trajeto, mesmo com a pandemia ainda nos atingindo. Para terem uma noção, havíamos planejado caminhar com uma turma de 8 romeiros, com dois no apoio logístico, somando um total de 10 romeiros.


Como lhes disse, a pandemia nos trouxe muitos desafios neste ano de caminhada. Três de nossos amigos não puderam percorrer o trajeto, pois estavam contaminados com o coronavírus. Saímos receosos. Mas restaram 7, número da perfeição, conforme nos ensina Padre Celso. Saímos de Itapuranga e andamos por 48 km até o povoado de Goiataba, município de Rubiataba. Saímos do povoado na segunda-feira às duas horas da manhã e adentramos na cidade de Rubiataba por volta das cinco horas. Nesse momento fomos surpreendidos por duas novas companhias.


Primeiro, salientar que, a partir de Rubiataba em diante, tivemos a presença de mais um apoio. Ozair se juntou ao Tim para servir de apoio durante a caminhada. Porém surgiu um outro companheiro de jornada, o Romeiro, um cachorro vira-lata que entrou em nosso grupo. Não sabemos explicar como apareceu, de onde veio e, em alguns momentos, tentamos impedi-lo de seguir conosco. Mas, Romeiro se tornou o nosso companheiro inseparável. Dormiu, comeu e bebeu conosco, parecendo que sempre estava nos vigiando.


Enfim, agora, éramos 7 caminhantes, tendo se juntado ao grupo o cão que batizamos de Romeiro. Um animal que, para nós, se tornou a presença de Deus nos guiando e protegendo pelas estradas do deserto, na travessia do mar vermelho, enfim, rumo à terra prometida. Romeiro caminhou conosco por mais 90 km até à cidade de Guarinos, tendo assistido a missa e nos seguindo até deixarmos a cidade. Uma pena não podermos ter trazido o nosso companheiro de caminhada. Ficamos arrependidos.


Hoje chegamos à conclusão de que Romeiro foi um sinal do Deus da Vida, nos protegendo e seguindo os nossos passos, pois o povo que se mantém no caminho é para ser transformado em cristãos mais humanos, cuidadosos, solidários. Que sejamos Igreja que respeita as diferenças e os diferentes. Valores de empatia e amor ensinados pelo nosso querido Romeiro. Deus no meio de nós, conosco, não acima de tudo.


No retorno, encontramos um cidadão que se colocou à disposição para cuidar e proteger o Romeiro no santuário de Guarinos. Mais um sinal da presença do Deus acolhedor. Mas, a companhia de Romeiro ficou e será um sinal na nossa caminhada, como uma estrela guia sinalizando que precisamos seguir os passos do Deus da Vida. Com a experiência de Nossa Senhora, mãe de Jesus, possamos experienciar as maravilhas do Deus da justiça.


Romeiro, o nosso cão protetor!

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